05 de novembro – Dia do Designer

5 11 2012

Para marcar o Dia do Designer, resolvi trazer uma listinha criada por Dieter Rams, designer industrial alemão.

 

1. Um bom design é inovador

2. Um bom design torna um produto útil

3. Um bom design é estético

4. Um bom design torna um produto compreensível

5. Um bom design é discreto

6. Um bom design é honesto

7. Um bom design é duradouro

8. Um bom design é completo, até o último detalhe

9. Um bom design é ecologicamente correto

10. Um bom design é o mínimo possível

Nem só de camadas e filtros se faz um bom designer!





BRT Belém – Apresentação da marca

10 10 2012

Quem mora em Belém já não aguenta mais ouvir a sigla BRT, essas três letrinhas que, juntas, atrapalham a rotina diária de milhares de moradores da região metropolitana da capital paraense, direta ou indiretamente. Mas como este não é um blog jornalístico, político ou algo que o valha, vamos ao que interessa: a apresentação da marca do projeto.

Não quero nem entrar em detalhes do site (até a marca do twitter está sendo utilizada de forma inadequada, de acordo com as regras publicadas pela própria administração da rede social), vou me ater à página de apresentação da marca do projeto. Observem bem na captura de tela abaixo.

Marca BRT Belém

Apresentação da marca BRT Belém no site do projeto.

Acompanhem comigo: o texto começa errado porque apresenta erros grosseiros de ortografia, pontuação e concordância. Sim, isso é um recado direto aos profissionais e estudantes de design que não enxergam a importância do domínio da língua portuguesa (ou qual seja a língua utilizada no contexto). Um texto mal redigido, além de não apresentar coerência e fluidez, é capaz de derrubar a boa reputação de um profissional.

Imaginando que o texto estivesse dentro da norma culta adequada para a língua escrita, sua redação ainda não estaria coerente. No item “Sustentabilidade”, por exemplo, o trecho “A cor Azul turqueza está associada ao conceito de sustentabilidade, reduzindo o nível de CO2 atmosfera da cidade de Belém” (sic) nos deixa interpretar que o mero uso da cor na marca traz como consequência a redução do nível de dióxido de carbono emitido, uma informação obviamente incorreta.

Sobre a marca em si, a própria utilização da imagem (hipoícone) do ônibus é questionável. Uma marca não precisa apresentar o que ela representa (seu objeto) figurativamente, como olhos em marcas de clínicas oftalmológicas, ou grandes dentes antropomorfos em clínicas odontológicas. Para uma marca ter pregnância visual, ou seja, para que ela seja facilmente visualizada, interpretada e memorizada, é preciso simplificar o quanto for possível a sua forma (gestalt, um beijo!). Desta forma, se era realmente necessário desenhar o ônibus na marca do projeto, sua representação poderia estar mais simplificada, considerando ainda a dificuldade de visualização dos seus detalhes quando a marca for utilizada em sua forma reduzida.

A representação em perspectiva linear poderia até ser justificada como representação de dinamismo e velocidade, dois conceitos positivos relacionados ao projeto. Mas sua apresentação foi atribuida à “tecnologia que os ônibus da BRT terão ao trafegarem pela cidade” (sic), mais uma vez sugestionando um conceito equivocado (no caso, de que os ônibus adquirem tecnologia ao trafegarem nas vias da cidade).

Por fim, a perspectiva da faixa branca é apresentada como um recurso para “simbolizar de forma subjetiva” (sic) os corredores e canaletas do projeto. Semioticamente falando, não consigo compreender como seria um símbolo não-subjetivo, pois o símbolo, em si, já é um signo que produz uma ideia geral, que vai ser interpretada diferentemente por cada indivíduo. Ou seja, é subjetivo na sua essência! Porém, devemos considerar a possibilidade do uso do termo “simbolizar”  fora do seu conceito semiótico. Neste caso, a expressão é apenas uma forma de utilizar termos técnicos sem muito critério.

E vocês, o que acharam?

***ATUALIZANDO***

Antes da publicação desse texto, fui apresentada a outro site do mesmo projeto, o brtbelem.com.br. O susto? Um leiaute completamente diferente, incluindo a marca do projeto. Estou achando melhor deixar a análise desta outra marca para outro post, concordam?





Sombrinha prática e ecológica. Será?

7 07 2012

Levante a mão aí quem souber responder essa: o que nós, habitantes da Cidade das Mangueiras, temos em comum com londrinos?

Acertou quem respondeu “a necessidade de fugir da chuva”.

A designer Shiu Yuk Yuen, observando o hábito inglês de se proteger da chuva com jornal (hábito especialmente comum no centro da cidade, onde há uma edição de distribuição gratuita), criou um suporte para otimizar seu uso, mas que também pode ser utilizado com sacolas plásticas ou outro material similar ao alcance das mãos.

Conheça a Eco Brolly e seu processo de montagem

Em Belém, não é tão comum a utilização de jornal para proteger da chuva, até porque a nossa chuva geralmente chega forte demais para uns pedaços de papel. Há que se considerar ainda que, graças ao calorzinho tropical da cidade, não usamos casacos ou outras peças de tecidos mais pesados, o que nos torna ainda mais vulneráveis mesmo ao chuvisco. Mas talvez umas sacolas plásticas seriam bem vindas. Eu, por exemplo, sempre tenho no mínimo uma, dobradinha em triângulo, guardada na bolsa.

Aí eu me questiono: qual o fator ecológico do produto, se eu vou utilizar um jornal e descartá-lo sem nem ao menos ter feito uso de sua principal função? Será realmente ecologicamente correto usar sacolas de plástico ou outro produto similar, já que provavelmente ele ficará inutilizável após a chuva?

Por outro lado, a praticidade do objeto retrátil e pequeno o suficiente para ser guardado no bolso como um pequeno estojo chega a ser mais interessante que as menores sombrinhas que já vi pelo mercado. No entanto, como sou adepta dos enormes guarda-chuvas (que realmente protegem da nossa querida “chuva das duas”), essa vantagem é irrelevante.

E você, queria ver a Eco Brolly à venda na João Alfredo, ou no comércio da sua cidade?





Divulgadas imagens dos ingressos para os Jogos Olímpicos de Londres 2012!

24 05 2012

Me deparei hoje cedo (aqui) com as primeiras imagens de alguns ingressos criados para as próximas olimpíadas, em Londres. Confesso que fiquei surpresa, e aparentemente, de maneira positiva.

Logo quando foi divulgado o SIV dos Jogos Olímpicos de 2012, em meados de 2007, houve um grande reboliço entre designers e outros profissionais de comunicação. A marca apresentada foi duramente criticada por conta do aspecto oitentista das cores fortes e traços geométricos, e houve até quem considerasse que a marca cumpriu aí mesmo sua função: ficar impregnada em nossas mentes e se tornar inesquecível até o momento de seu uso mais intensivo, durante o período dos jogos.

Pois bem, agora podemos conhecer uma de suas mais emblemáticas utilizações: os ingressos. São eles que serão guardados em caixas de recordações, pregados em murais de quartos e grampeados em agendas, como a prova incontestável da presença na plateia e lembrança de momentos marcantes para muita gente.

ingressoslondres

Ingressos para Jogos Olímpicos de Londres 2012

Olha, pessoal, até que não está como eu imaginava que seria. Continuo vendo a marca dos jogos com baixa legibilidade, principalmente em proporções reduzidas. Mas até que a escolha das cores ficou interessante, considerando o uso discriminado por localização do evento. Os pictogramas de cada modalidade olímpica também me preocupavam, mas percebo agora uma boa leitura dos pequenos ícones vazados colocados abaixo dos aros.

Ainda vejo com certa restrição também os traços desnecessários nesses mesmos pictogramas, quando usados na área de destaque do ingresso. O que aparentemente foi colocado ali para atribuir dinamismo e energia às imagens acaba se tornando poluição em um certo nível (minimalista, muito prazer).

Já a hierarquização das informações me encantou: data, horário, e um “código de entrada” (nunca estive em um evento esportivo dessas proporções, não sei o que é isso, beijo) dispostos de maneira clara. Até o detalhe do mini mostrador de relógio analógico indicando a posição dos ponteiros no horário do evento foi um detalhe bem pensado! Abaixo da área focal do leiaute, que destaca o pictograma da modalidade sobre um mosaico nas cores atribuídas a cada locação diferente, os dados da entrada e localização do assento também são facilmente identificáveis. Só não consegui identificar algum propósito claro na utilização de duas cores no pictograma maior, e prefiro acreditar que o propósito não ficou evidente do que pensar em uma aplicação aleatória…

E vocês, o que acharam do visual dos ingressos?

Via My Modern Met.





Cadeira Springer. Cadeira?

15 09 2011

Esta peça, criada pelo estúdio polonês Beautic, é confeccionada com um único tubo de aço, formando seis triângulos sobrepostos que, segundo seus criadores, uma certa concentração de energia. Um louvor à simplicidade e à força.

Vejam a peça em perspectiva.

Estava cá pensando com meus botões que não é de todo um desastre. Sim, porque não consigo imaginar esse escorredor de pratos como uma cadeira. Mas seria bem interessante talvez como porta-revistas, ou algo assim. Se for produzido em uma escala menor, quem sabe até não seria um porta-guardanapos bem sofisticado…

Falando sério, você se sente confortável com a mera ideia de usar esse objeto para sentar? Observem a fotografia abaixo:

Estava tão confortável que a criatura saiu voando dali... eu hein...

Talvez por isso ainda esteja em busca de uma empresa que a produza…

Vi aqui.





Volumptuous: Aparador feito à mão

17 08 2011

Volumptuous é um aparador verdadeiramente original, uma peça que me testou como um fabricante e me fez sentir desconfortável como um designer.” Com estas palavras, o designer Edward Johnson apresenta seu produto. O que me deixa aliviada, já que realmente não vejo este aparador como um produto de design. Se for enquadrado como peça de arte, ok. Dêem uma olhada no móvel.

Eis o Volumptuous. Peça de design ou de arte?

O fato de ter sido fabricado à mão, ao meu ver, arrasta o móvel da categoria “design” para “artesanato”. Some-se a isto a redução das funcionalidade da peça decorrentes dos relevos decorativos, e temos então um objeto de arte. Talvez até bem interessante para ser definido, como costuma-se dizer no design de interiores, como a peça-chave de um ambiente. Mas convenhamos, fica um pouco complicado conseguir outras peças que harmonizem com um aparador tão cheio de informação visual, não acham?

Além disso, pro pessoal que mora em regiões de umidade relativa do ar em torno dos 90% (olá, Amazônia!), isso tem a maior cara de MDF estragado… Semiótica explica!

Vi aqui.





Cadeira de fósforo.

18 07 2011

Minha busca pelo sentido de criar objetos que não inspirem segurança e conforto continua. A mais recente descoberta dessa designer que vos fala é esta cadeira aí:

Curt Chair, por Bernhard-Burkhard. Um desafio, por certo.

A criação é do estúdio suíço de design Bernhard|Burkhard.

Ok, a produção dessa cadeira deve ser incrivelmente simples e barata, mas eu não vejo segurança nela. A bem da verdade, já não me sinto muito segura no modelo que provavelmente serviu de inspiração para essa, a nossa velha conhecida espreguiçadeira. Não bastasse a falta de mais apoio no chão, os designers aplicaram um revestimento anti-derrapante que deixou as hastes com a cara de palitos de fósforo, reforçando bem a sensação de perigo…

Puro conforto, mas sensação de segurança, cadê?

Há que se considerar também as restritas possibilidades de superfícies a serem usadas como apoio para a cadeira; tanto na parede como no piso, deve-se procurar materiais propícios à resistência e atrito. Resumo: uma cadeira para quem gosta de viver perigosamente.

Eu não conheço o projeto da cadeira, a única informação que encontrei no site do estúdio se refere ao uso do material anti-derrapante, e ainda assim, o texto de apresentação do produto sugere que ele só seja usado em superfícies perfeitamente perpendiculares. No entanto, na condição de graduada em design de produtos e, principalmente, de consumidora, eu acredito que os objetos do nosso cotidiano devem não só ser seguros, como transmitir essa segurança visualmente. Nós somos seres visuais, a imagem é a principal fonte de informação para a grande maioria das pessoas. Ainda que tenha sido testado e aprovado, um produto pode não ser bem aceito se der a impressão de fragilidade ou falta de segurança.

Bem, vamos considerar que a Cut Chair não é exatamente um objeto cotidiano, não é mesmo?

Vi primeiro aqui.








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