Belém, 395 anos.

12 01 2011

Não vou escrever sobre a cidade hoje. Já escrevi no Ponto Zero, se quiserem conferir o que acho da cidade, do aniversário e da população.

Vou deixar o espaço aqui só para fotos. Fotos de como eu vejo essa cidade. Fotos de como eu quero mostrar essa cidade. Recortes de uma realidade calorenta, suada, e com cheiro de tucupi.

Cestaria e o mercado de ferro ao fundo

Toda cidade tem a sua, mas a nossa é a mais bonita com certeza...

Canhões e uma garça, posando pra tia Tereza =)

Detalhes da Praça Batista Campos, apaixonantes!

Se quiser ver mais fotos minhas da cidade, clique nas imagens que elas levam ao meu flickr! Todas essas fotografias são de minha autoria, e foram produzidas para o meu trabalho de conclusão de curso, o projeto Belém na Foto.





Gestalt vs. Semiótica

22 02 2010

Lembram quando comentei sobre um impasse na pesquisa do referencial teórico pro meu TCC? Então.

Quando estava estudando as minhas referências para o Belém na Foto [se você ainda não sabe, esse é o nome do projeto criado para meu trabalho de conclusão de curso], decidi apoiar o capítulo sobre design no estudo de cores e formas, que são as características importantes do produto gráfico [no caso, cartões postais]. Para embasar o estudo das cores, usei o Psicodinâmica das Cores em Comunicação. Para as formas, bem, Gestalt do Objeto, né!

Em um primeiro momento, ao me deparar com a explicação da Gestalt para o processo perceptivo visual, meu impulso foi o de tirar o capítulo do referencial teórico do trabalho. A idéia de que nosso cérebro obedece a um padrão pré-determinado ao interpretar estímulos visuais não era absurda, mas aparentemente ia de encontro a tudo o que eu havia estudado na semiótica durante os últimos anos.

Ai, e agora??

Para quem não sabe, os gestaltistas afirmavam que “o todo é maior que a soma de suas partes”, e que nossos cérebros seriam adaptados a sempre buscar a harmonia na informação que vê, esteja ela na perfeita simetria geométrica ou na profusão equilibrada de elementos que formam um só conjunto homogêneo.

Sim, Tereza, e daí?

Bem, daí que os experimentos científicos repetidos disciplinadamente apontavam para um padrão perceptivo que independe da cultura e do aprendizado individual; algo que se fazia presente em qualquer ser humano capaz de receber estímulos externos [aqui no blog vamos restringir os exemplos à percepção visual].

E daí que, nesse momento da leitura, eu quase vi o embasamento semiótico escorrendo pelos dedos. Mas, como boa amante dos signos que sou, prossegui me aprofundando na pesquisa para ver se eu conseguia colocar os gestaltistas e semioticistas para conversarem.

Sim, continue que estou ouvindo, só fechei os olhos pra me concentrar melhor...

E qual não foi a minha surpresa quando me dei conta de que a resposta estava ali, sorrindo e piscando marotamente pra mim? Ok, o caso é o seguinte: a Gestalt, dentro da perspectiva visual, nos diz que nosso cérebro procura a lógica e a familiaridade em tudo o que vê. O que nossos olhos vêem, os neurônios procuram interpretar na sua totalidade, geralmente tendendo para as formas mais simples, sendo capaz até de nos enganar [como nas ilusões de óptica]. Os pesquisadores falaram também sobre uma certa tendência que temos de fechar imagens incompletas e aproximar elementos semelhantes, por exemplo.

Acontece que a semiótica tenta explicar o que fazemos com essa informação percebida, ou seja, uma etapa posterior. Na verdade, é como se a Gestalt pudesse nos direcionar com relação ao que vamos enxergar em determinada imagem, e a semiótica nos ajudasse a compreender o que interpretamos a partir dessa percepção, ou seja, como lidamos com o mundo que percebemos.

Para não esticar muito o texto, vou deixar os exemplos para uma próxima vez.





Sobre Técnica no Câmara Obscura

29 12 2009

Bem, além de abandonar o blog, o TCC também me fez deixar algumas leituras mais complexas do meu leitor de blogs para algum momento mais calmo, quando eu tivesse tempo disponível para uma leitura concentrada.

Então, uma dessas leituras foi esse texto do Rodrigo Pereira publicado no Câmara Obscura, sobre a técnica fotográfica. Uma pena ter sido publicada depois da minha defesa, teria sido uma ótima fonte.

Pra quem não viu e não sabe, meu trabalho se baseou no uso da base teórica fornecida pelo design gráfico e das técnicas e conceitos da fotografia na criação de uma coleção de cartões postais de Belém. Seria bem interessante ter refletido antes sobre o texto do Rodrigo, que traz uma perspectiva bem semelhante ao que eu queria demonstrar no meu projeto. Ele conseguiu colocar em termos bem claros e objetivos o que eu queria demonstrar com meus cartões, que é possível fazer uma fotografia de um mesmo objeto com resultados completamente diferentes quando se tem o domínio da técnica, seja para seguir suas regras, seja para quebrá-las.

Um ISO baixo (100) e velocidade de 0,003 seg. garantiram a dramaticidade da foto através da escura e pesada nuvem de chuva em contraste com a luminosidade do sol no fim da tarde.

Embarcação na orla

Foto feita com pouco tempo de diferença da anterior. Mesmo ISO 100, mas exposição de 0,013 seg. Notem como a nuvem ficou bem mais clara, e pode-se observar mais detalhes da paisagem.

Enquanto eu não trago mais sobre o projeto pra cá, fiquem com a questão: E essa tal de técnica?





Belém na Foto

11 12 2009

Então… está chegando o dia!

Na próxima segunda-feira, dia 14 de dezembro de 2009, às 20h, estarei começando a defesa do meu trabalho de conclusão de curso.

Embarcação e Praça do Pescador, vistos da Estação das Docas. Ah, e lá no fundo o Ver-o-Peso.

Foram 4 anos de graduação em 7, então vocês podem fazer idéia do quanto isso é importante pra mim. Aliás, não só pra mim, mas para algumas pessoas importantes também, que sempre se preocuparam com meu futuro.

Após tantas idas e vindas, tantas voltas que dei, tantas decisões tomadas e repensadas, cá estou, terminando enfim o bendito curso de design.

Bem, pelo menos uma coisa eu mantive: a paixão pela semiótica. Para quem não sabe, eu cheguei a preparar um TCC na época em que deveria ter me formado. E ele também estava baseado na excelente ferramenta que o mapa lógico criado por Peirce nos fornece pra entender o mundo, especialmente os processos de comunicação.

Esse trabalho foi a razão primeira para a criação desse blog. Muitas vezes eu senti a necessidade de dividir as descobertas e reflexões que o referencial teórico me proporcionaram. Nem todas as vezes eu pude trazê-las aqui, até por causa do tempo curto. Mas o pouco que trouxe me foi muito válido.

E digo mais: o blog está me fazendo acreditar na carreira acadêmica como caminho pro meu futuro. Eu sou simplesmente apaixonada pela semiótica, pela fotografia, pela comunicação, e se meus olhos brilham quando eu penso em um novo texto pro blog, provavelmente vão brilhar a cada nova aula que eu preparar.

É isso. O último passo pro começo efetivo de uma carreira. A apresentação da coleção de cartões postais Belém na Foto, um novo olhar sobre a cidade, uma forma apaixonada de mostrar as peculiaridades da cidade morena. Tudo isso baseado em um novo olhar sobre a fotografia como signo.

E convido a quem quiser e estiver de bobeira na segunda, pode aparecer lá!

Centro de Ciências Naturais e Tecnologia – CCNT

Travessa Enéas Pinheiro, 2626,  Sala 15, 1º andar.





Rapidinha

29 09 2009
Juro, esses e mais alguns que não saíram na foto...

Juro, esses e mais alguns que não saíram na foto...

Essa semana está corrida. Tenho que entregar dois capítulos do TCC, mais alguns elementos pré-textuais, no dia 01 de outubro (quinta-feira). Por conta disso, tá difícil publicar um post nesses dias.

Mas vejam só, estudando como eu estou, a cabeça está fervilhando! E eu precisava compartilhar algumas coisas! Então, só pra não deixar o blog tão abandonado, vou dividir um pouquinho (só um pouquinho) das coisas que tem ocupado meus neurônios.

Um dos capítulos que devo finalizar fala sobre design gráfico. Nada muito complexo, apenas uma pincelada de teoria, relevância da área e alguns dos conceitos da Gestalt e de teoria das cores que estarão embasando o projeto.

O problema: um dos pilares do projeto é a semiótica, principalmente o conceito de experiência colateral e suas implicações na criação de um produto essencialmente comunicador (os cartões-postais) e que pretende ter dois públicos ligeiramente distintos: os turistas que vierem conhecer a cidade e quiserem mostrar o que viram aos seus conhecidos; e o próprio público local que quiser divulgar a cidade ou simplesmente colecionar os postais.

Tá, e daí?

Daí que a primeira dificuldade está em transmitir uma mensagem a dois públicos que têm [eu ainda vou usar a ortografia antiga por um bom tempo, beijos.] bagagens culturais diferentes, e que, por essa diferença, também terão diferentes interpretações para o que verão nos cartões-postais.

Tudo bem, isso será resolvido lá na parte prática do TCC, o projeto em si, a criação dos leiautes.

Mas… e a Gestalt? Os estudos conduzidos pelos racionais e disciplinados alemães conduziram à seguinte conclusão: o cérebro humano, no que diz respeito ao processo da percepção visual, obedece a determinados padrões pré-estabelecidos, que não dependem do aprendizado ou da bagagem individual do observador. O que, aparentemente, vai de encontro à experiência colateral como um trem desgovernado.

Ai minha Santaella, e agora??

Pra minha sorte, eu gosto mais de ler do que de escrever [por incrível que pareça, juro!], o que significa que gasto mais tempo bebendo nas minhas fontes do que estruturando o texto que deverá formar o meu trabalho de conclusão de curso. O lado positivo? Descobri, em outro dos livros que estou consultando, a chave que une os dois conceitos de forma a fortalecer ainda mais a minha hipótese!

Mas isso eu ainda não vou contar. Fica pra publicação do meu trabalho.

Quem morar em Belém está convidadíssimo, desde já, para a defesa, que deve ser entre final de novembro e começo de dezembro deste ano.

Alguém tem alguma sugestão de como resolvi o impasse? Fique à vontade!








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