Diário de uma Fotógrafa em Trânsito – Parte 2: Parauapebas

17 03 2010

Parauapebas já é peculiar por ficar no fim de uma estrada. Sim, a PA 275 termina na entrada do Parque Ecológico de Carajás, na Serra de Carajás. Além disso [e eu sei que isso é comum em outras cidades do estado], é incrível estar em uma cidade paraense onde você não se sente no Pará. Aqui é tão fora do estado que você encontra um restaurante de comida típica paraense.

É uma cidade bem bonitinha, sim senhor.

A cidade é bem estruturada, principalmente se compararmos ao comum do interior do Pará. Ainda não vi uma rua sem asfalto, o transporte coletivo [feito somente por vans] passa com frequência, e tem até um comércio respeitável.

Outra observação pertinente é que não vi ainda lixo espalhado pelas ruas. A rodovia que corta a cidade e chega no portão de Carajás é como se fosse uma imensa praça, toda arborizada e com fartura de estacionamentos. Claro, em uma cidade onde o dinheiro corre com fartura, muita gente tem carro particular.

Olhaí o tanto de vaga pra estacionar, no meio da cidade...

Bem, tirando a churrascaria que não tinha churrasco porque a churrasqueira estava quebrada, a pizzaria que não tinha pizza e o restaurante de comida paraense que só serve comida paraense no final de semana, Parauapebas é uma cidade que vale a pena conhecer.





Aniversário da Cidade Morena

12 01 2010

Banco no Forte do Presépio, Complexo Feliz Lusitânia

Sim! Hoje Belém completa 394 anos, gente! Temos o que comemorar? Talvez não… Mas apesar do desgoverno, da desprefeitura, dos buracos, da falta de saneamento, das obras feitas nas coxas, das obras de maquiagem, da falta de instrução para a população, do transporte público precário, e muitos outros pretextos pra se falar mal daqui, eu tenho orgulho de ser belenense de coração.

A praça, num raro momento de quietude. Um doce pra quem acertar onde está Wally.

Eu cheguei na cidade de mudança aos 13 anos, mas já era apaixonada pelas mangueiras e pelas praças desde quando vinha passar as férias na casa da tia. Adotei a cidade como minha, e mesmo esculhambando com todas essas precariedades, eu não deixo de defender meu lugar com unhas e dentes pra quem quer que venha falar mal da Mangueirosa.

Barco no Mangal das Garças

Então, ao invés de só reclamar de todos os males, ou fechar os olhos e dizer que a cidade é tudo de bom, vamos nos propor a fazer nossa parte. Vote certo, não jogue lixo na rua, ajude a esclarecer os que jogam, fique por dentro do que rola nos poderes executivo e legislativo, participe de campanhas de reciclagem, faça um trabalho voluntário pela população carente… Enfim, meu convite é esse! Vamos arregaçar as mangas e fazer Belém mais bonita e melhor pra se viver.

Os primeiros movimentos do dia na Av. Presidente Vargas.





Saudade de minha terra

23 10 2009
Fim de tarde no sertão afugenta as palavras.

Fim de tarde no sertão afugenta as palavras.

De que me adianta viver na cidade
Se a felicidade não me acompanhar
Adeus, paulistinha do meu coração
Lá pro meu sertão, eu quero voltar
Ver a madrugada, quando a passarada
Fazendo alvorada, começa a cantar
Com satisfação, arreio o burrão
Cortando o estradão, saio a galopar
E vou escutando o gado berrando
O Sabiá cantando no jequitibá

Por nossa senhora,
Meu sertão querido
Vivo arrependido por ter deixado
Esta nova vida aqui na cidade
De tanta saudade, eu tenho chorado
Aqui tem alguém,
Diz que me quer bem
Mas não me convém,
Eu tenho pensado
Eu digo com pena, mas esta morena
Não sabe o sistema que eu fui criado
Tô aqui cantando, de longe escutando
Alguém está chorando,
Com o rádio ligado

Que saudade imensa do
Campo e do mato
Do manso regato que
Corta as campinas
Aos domingos ia passear de canoa
Nas lindas lagoas de águas cristalinas
Que doce lembrança
Daquelas festanças
Onde tinham danças e lindas meninas
Eu vivo hoje em dia sem ter alegria
O mundo judia, mas também ensina
Estou contrariado, mas não derrotado
Eu sou bem guiado pelas
mãos divinas

Pra minha mãezinha já telegrafei
E já me cansei de tanto sofrer
Nesta madrugada estarei de partida
Pra terra querida que me viu nascer
Já ouço sonhando o galo cantando
O inhambu piando no escurecer
A lua prateada clareando a estrada
A relva molhada desde o anoitecer
Eu preciso ir pra ver tudo ali
Foi lá que nasci, lá quero morrer

(Composição: Goiá/Belmonte)

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Música caipira de qualidade. E que sempre vai me levar às lágrimas.

Não, eu não nasci no sertão, nem nunca morei em sítio. Mas meu pai é caipira, de Sacramento -MG. E ele me ensinou o deleite de ouvir  uma boa moda de viola.








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