Cadeira Springer. Cadeira?

15 09 2011

Esta peça, criada pelo estúdio polonês Beautic, é confeccionada com um único tubo de aço, formando seis triângulos sobrepostos que, segundo seus criadores, uma certa concentração de energia. Um louvor à simplicidade e à força.

Vejam a peça em perspectiva.

Estava cá pensando com meus botões que não é de todo um desastre. Sim, porque não consigo imaginar esse escorredor de pratos como uma cadeira. Mas seria bem interessante talvez como porta-revistas, ou algo assim. Se for produzido em uma escala menor, quem sabe até não seria um porta-guardanapos bem sofisticado…

Falando sério, você se sente confortável com a mera ideia de usar esse objeto para sentar? Observem a fotografia abaixo:

Estava tão confortável que a criatura saiu voando dali... eu hein...

Talvez por isso ainda esteja em busca de uma empresa que a produza…

Vi aqui.





Cadeira de fósforo.

18 07 2011

Minha busca pelo sentido de criar objetos que não inspirem segurança e conforto continua. A mais recente descoberta dessa designer que vos fala é esta cadeira aí:

Curt Chair, por Bernhard-Burkhard. Um desafio, por certo.

A criação é do estúdio suíço de design Bernhard|Burkhard.

Ok, a produção dessa cadeira deve ser incrivelmente simples e barata, mas eu não vejo segurança nela. A bem da verdade, já não me sinto muito segura no modelo que provavelmente serviu de inspiração para essa, a nossa velha conhecida espreguiçadeira. Não bastasse a falta de mais apoio no chão, os designers aplicaram um revestimento anti-derrapante que deixou as hastes com a cara de palitos de fósforo, reforçando bem a sensação de perigo…

Puro conforto, mas sensação de segurança, cadê?

Há que se considerar também as restritas possibilidades de superfícies a serem usadas como apoio para a cadeira; tanto na parede como no piso, deve-se procurar materiais propícios à resistência e atrito. Resumo: uma cadeira para quem gosta de viver perigosamente.

Eu não conheço o projeto da cadeira, a única informação que encontrei no site do estúdio se refere ao uso do material anti-derrapante, e ainda assim, o texto de apresentação do produto sugere que ele só seja usado em superfícies perfeitamente perpendiculares. No entanto, na condição de graduada em design de produtos e, principalmente, de consumidora, eu acredito que os objetos do nosso cotidiano devem não só ser seguros, como transmitir essa segurança visualmente. Nós somos seres visuais, a imagem é a principal fonte de informação para a grande maioria das pessoas. Ainda que tenha sido testado e aprovado, um produto pode não ser bem aceito se der a impressão de fragilidade ou falta de segurança.

Bem, vamos considerar que a Cut Chair não é exatamente um objeto cotidiano, não é mesmo?

Vi primeiro aqui.





Da série “semioticamente paradoxal”: cadeira transparente.

16 07 2011

Esta série rende muito pano pra manga, não acham? Talvez pelo sucesso crescente daquilo que, embora seja conhecido como design, eu costumo encaixar na categoria “obra de arte”. É uma discussão recorrente no meio acadêmico, onde estamos justamente para construir conhecimento, a questão dos limites entre design e arte.

Alguns delimitam o design à produção em larga escala, outros costumam chamar “peças de design” àquele mobiliário moderno, criado por grandes nomes cuja assinatura coloca os preços de tais objetos nas alturas. O fato é que o design como conhecemos surgiu com a Revolucão Industrial mesmo, período em que a produção artesanal de objetos foi transformada em um processo com duas etapas distintas: o projeto (esforço mental) e a execução (esforço da máquina). Lembrando que esse é um aspecto referente ao design de produtos, mas que não se aplica, por exemplo, ao design gráfico, que tem uma trajetória diferente e mais antiga.

Pois bem, esse design industrial surgiu para atender a uma necessidade específica de produção de objetos em série. Porém, mesmo priorizando viabilizar os custos da produção em série, muitos desses projetistas tinham sua formação justamente em escolas de belas artes. Pode-se dizer, então, que esse trânsito do design entre a arte e a engenharia tem suas origens confundidas com as origens da própria profissão, e perdura até os dias de hoje.

E aí, com toda essa discussão rolando, eis que me aparece essa poltrona:

Uma fina armação metálica envolta em filme plástico? Aham, senta lá!

Segundo a firma japonesa de design Nendo, responsável pela criação da Transparent Chair, o filme de poliuretano usado na produção da cadeira tem alta elasticidade e capacidade de voltar ao seu estado normal, sendo inclusive usada para embalar instrumentos de precisão e produtos suscetíveis a choques e vibrações.

Tudo bem, ela é bonita, tem um visual clean que cairia bem em muitos estilos diferentes de decoração, mas… Ah, sempre fica essa sensação no ar. Posso mesmo sentar aí? Não vai rasgar esse filme? Gente, os caras dizem que é uma relaxante sensação de estar flutuando. Tenho a impressão de que minha musculatura demoraria um bom tempo para realmente relaxar sobre essa estrutura.

Olhaí, a mocinha totalmente relaxada, toda trabalhada no Pilates...

E você, já quer ou já desistiu de entender como alguém vende essa cadeira? Você acha que o designer de produtos deve se preocupar tão somente com a produção em escala industrial na dicotomia forma/função? Ou cabe também a este profissional criar produtos que nos estimule os sentidos e aguce nossa curiosidade, ainda que sejam pouco funcionais ou tenham preços exorbitantes?





Cadeiras… dobráveis?

5 05 2011

Eu já estava morrendo de saudades de escrever sobre design aqui no Interpretante, e encontrei essa cadeira muito interessante para retomar o ritmo das postagens!

Tcharammm!

A montagem é inversa, ou seja, você desdobra para guardar, e isso faz com que ela ocupe bem menos espaço do que as cadeiras dobráveis comuns que encontramos no mercado. E por “menos espaço”, eu quero dizer que dá pra colocar até debaixo do tapete…

Tem até opção de cores!

Minhas considerações: adorei o conceito da cadeira se tornar uma peça plana, adorei a possibilidade de brincar com as cores na hora de produzir, mas… ainda acho que, abertas, elas ocupam muito espaço. Elas até parecem confortáveis, mas não consigo imaginar abrir quatro dessas em uma sala de um apartamento médio. A cadeira parece ser ainda um conceito,  ainda tem detalhes no acabamento que podem melhorar mas é isso que dá arquiteto querer fazer trabalho de designer, né?.  Talvez seja uma boa opção pra colocar no bagageiro superior do carro e levar pra casa de praia, né?

O projeto é do arquiteto Robert van Embricqs, e eu vi no Furniture Fashion.





Cadeira com sombra funcional. Oi?

28 01 2011

Essa é uma daquelas idéias que designers comumente gostariam de ter tido. A cadeira denominada “Purposefulness of Shadow” [algo como “despropósito da sombra”]  consegue unir funcionalidade e visual em um produto de linhas simples.

Dependendo do ângulo de visão, pode confundir nossos olhos!

O grande barato é que a parte da cadeira que faz as vezes de sombra serve de compartimento para guardar objetos, como bolsas e casacos. Assim, ó:

Ideal para os que carregam consigo muitas "bagagens"

Ergonomicamente, eu faria uma ligeira observação: cadeiras com assento e encosto em absoluto ângulo reto me passam uma sensação de desconforto; e até onde me lembro das aulas na faculdade, o ideal é que se tenha uma angulação ligeiramente maior que 90º. Ergonomistas, confirmam?

Fora isso, o que ela precisa é de um nome mais comercial, porque… meio difícil “purposefullnes of shadow” ser bem aceito comercialmente…

Vi no Furniture Fashion.





A cadeira mágica invisível e seus interpretantes

17 08 2010

O que você sente ao ver uma cadeira como essas? Você sentaria nela sem problemas? Compraria algumas para usar na sua casa ou escritório?

Cadeiras mágicas de Davide Conti.

Criada pelo designer Davide Conti, ambas as versões parecem desafiadoramente se sustentar em um só pé. Uma placa de material transparente, quase invisível, eu diria, dá a sustentação necessária para a função do objeto. A cadeira desafia também a nossa coragem e confiança no designer, já que é evidentemente difícil se sentir confortável com a ideia de se sentar em um objeto com aparente falta de sustentação.

As cadeiras MAGICA e MAGICA2 foram premiadas no 3rd Furniture Design Competition organizado pela Design Quest, e, pelo que entendi, ainda não foram produzidas. De qualquer maneira, elas mexem com a nossa concepção de realidade e de objeto, daí eu ter colocado os interpretantes ali em cima, no título. =)

Em primeiro lugar, mexe quando você vê o objeto ao vivo. Ok, eu não vi, mas vamos supor a situação de ver essa cadeira ao vivo. Eu não sei se me sentiria segura para sentar em qualquer uma delas. Talvez após tocar o tal material transparente e “verificar” sua consistência firme e segura… Como seres predominantemente visuais, temos a tendência de confiar mais nos olhos que em qualquer outra percepção. Daí que, se os olhos não ficam satisfeitos com o que vêem, é preciso tocar, ou cheirar, ou provar, para termos mais informações sobre o objeto de análise.

Mexe com nossos conceitos arraigados sobre os objetos que conhecemos. O que vem à sua mente quando pensa em cadeira? Assento, encosto e quatro pés, acertei? E quando você vê uma cadeira e não vê todos os elementos, você acha que aquilo não é uma cadeira, né? É difícil se acostumar com a ideia. Mas a gente se acostuma, e se adapta. Alguns mais rapidamente que outros.

Agora, considerando a fotografia dessa cadeira, supondo que ela já foi produzida e fotografada. Dependendo do ângulo escolhido para a foto, a iluminação, o fundo, e todos os elementos que interferem no resultado final de uma fotografia, você simplesmente não vai enxergar as placas transparentes que dão sustentação à cadeira. E aí, sem o auxílio dos outros sentidos, como se assegurar de que a cadeira não vai cair quando você se sentar sobre ela? E para nós, que lemos no memorial do produto que ele possui suportes transparentes e já sabemos que ele está lá, mantendo a cadeira firme, como dizer que a fotografia é a realidade? Nós “sabemos” que há um suporte, mas não o vemos, porque a foto não nos mostra esse pedaço da realidade. E não estou nem considerando a possibilidade de manipulações posteriores na imagem…

E então, depois de tudo isso, como confiar na fotografia como relator fiel do que é real?

Como o post já está longo e vocês já devem até ter cochilado, vou entrar na discussão fotografia: índice ou símbolo em uma próxima oportunidade.

Pra não perder o hábito, vi no Freshome.





Objetos lúdicos de design

18 06 2010

Não sei vocês, mas uma das coisas que mais gosto no design é a possibilidade de inovar na criação de objetos considerados banais. Móveis de sentar, por exemplo. Cadeiras, bancos, poltronas, sofás… todos eles tem suas formas padrão, e no entanto cada um deles oferece diversas possibilidades de novas interpretações partindo de sua função.

Recentemente, vi duas poltronas que eu gostaria de ter no meu futuro estúdio fotográfico. Uma delas, a Zip-up chair, é um móvel funcional projetado para apartamentos limitados, mas é tão legal que pode muito bem entrar na decoração de uma casa moderna e espaçosa.

Esta é a Zip-up chair.

A outra, Vuzzle Chair, é uma poltrona estofada feita de 59 peças imantadas, que podem ser rearranjadas na forma que o usuário quiser.

Esta é a Vuzzle chair. A primeira vez que li, confesso que pensei na tal da vuvuzela...

Criatividade é o que há!

Vi as duas no Freshome.com








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