A arte de se iniciar na arte fotográfica.

23 06 2010

Pensando por alto, qualquer começo de carreira é complicado. Na fotografia não poderia ser diferente. Talvez até um pouco pior, já que para ser fotógrafo não é necessário um diploma [embora aqueles que fazem cursos estejam bem mais preparados para começar...].

Se você está começando e se sente perdido, ou muitas vezes acha que nunca vai alcançar o nível profissional quando se depara com fotógrafos experientes, você não está sozinho.

No blog do Digital Photography School, a fotógrafa Laura Radniecki fala sobre cinco armadilhas de nossas cabecinhas amedrontadas, e fala sobre como se livrar delas! Vou comentar as cinco, sem traduzir o texto direto, ok?

1. Minhas fotos são horríveis.

Todo mundo começa do começo. Não dá pra querer comprar a câmera e sair fazendo fotos melhores que as do Cartier-Bresson. O aprendizado dos recursos da câmera é longo e trabalhoso, exige prática e estudo. Haverá vários megabytes [ou rolos, se você é das antigas] de fotos ruins para cada foto boa no começo. Com o tempo, você vai melhorando, acredite.

2. Meu equipamento não é bom…

Compacta

Não é porque a câmera é compacta que ela não fará registros maravilhosos!

Câmeras caras não significam fotos lindas. Quem faz a foto é o fotógrafo. É claro que existem limitações de recursos quando você não pode comprar todas as lentes disponíveis no mercado, mas o seu aprendizado está justamente em saber lidar com o que você tem em mãos, e não perder o momento da foto. Aliás, câmeras compactas do tipo point-and-shoot [as famigeradas automáticas] são capazes de fazer maravilhas, é só você aprender a usar seus recursos de redução de tremor, identificação facial, ISO alto… Mas, como já dito anteriormente, estudo e prática são fundamentais. Leia o manual da sua câmera, procure aprender sobre ISO, flash, composição, profundidade de campo…

3. Estou fazendo tudo errado!

Não existe forma “errada” de se fazer uma foto. Muitos iniciantes pensam nisso por não conseguirem entender e usar o modo manual da câmera, mas isso não é de todo ruim! O modo automático é adequado para começar a aprender, e só passe a controlar mais os ajustes quando se sentir seguro para tal. Faça seu tempo, pessoa!

4. Eu nunca vou conseguir fotografar como profissionais.

Quanto a isso, apenas um comentário: todo profissional foi iniciante um dia. =)

5. Não posso pagar por programas de edição!

Bem, os programas mais conhecidos realmente são caros, mas a Laura dá exemplos de programas que são gratuitos, como o iPhoto e o Picasa. Se você pesquisar bem, pode encontrar outros também!

Além dessas cinco armadilhas, é bom você iniciante conhecer os primeiros degraus desse aprendizado, que a Huaine Nunes coloca muito bem em seu blog. É um texto que nos faz refletir e enxergar melhor esse processo doloroso e demorado de amadurecimento profissional.

Espero que tenha acalmado os coraçõezinhos aflitos por aí!





A candeia e o alqueire. Ou de como devemos compartilhar o conhecimento.

4 06 2010

Queridos leitores! Vocês têm acompanhado meu crescimento profissional, ainda que nem se apercebam disso. Eu hoje estou no começo da minha carreira, e ainda tenho muito feijão pra comer. Talvez o que alguns de vocês realmente não saibam foi que eu comecei a aprender sobre fotografia sozinha. O que eu disse? Sozinha?? Não. Por conta própria.

Há poucos anos, eu não tinha a intenção de abraçar a fotografia como profissão. Descobri que gostava, me diziam que eu fazia fotos legais, e então resolvi aprender. Comecei pesquisando sobre o tal do ISO, da abertura, velocidade, exposição, composição, regra dos terços… Foi bem difícil no começo, mas não desisti.

Lembra da passagem do evangelho, quando Jesus diz que não se acende uma candeia para colocá-la sob o alqueire, mas sim sobre o candeeiro? Então...

E sabem o que me fez não desistir? Pessoas que compartilham seus conhecimentos. Grandes fotógrafos [não necessariamente os famosos, mas muito bons fotógrafos] que disponibilizam na internet, de graça, informações sobre a técnica e o conceito. Gente que escreve tudo bem explicadinho sobre o equipamento e sobre o olhar. E eu acho essas pessoas geniais.

Tem muita gente por aí que não gosta de ensinar o que sabe. Vocês conhecem? O cara é expert em um assunto, mas não ensina ninguém com medo de perder mercado. Medo da concorrência o superar. Isso é triste.

Aprendi, observando e vivenciando, que o conhecimento deve ser compartilhado sim. E quanto mais você compartilhar, mais sucesso vai ter. Não me pergunte por que, ainda não descobri a matemática da coisa. Mas os profissionais de maior sucesso que conheço são aqueles que compartilham seu conhecimento.

Pode ser como a Huaine Nunes, escrevendo o bê-a-bá da fotografia para quem mal sabe ajustar a câmera. Pode ser como a Jasmine Star, mostrando o próprio caminho que ela percorre para os que já sabem usar o modo manual, mas ainda têm muito o que aprender sobre construir uma fotografia.

Não importa a profundidade do tema abordado. O importante é que essas pessoas dividem. Sem medo de perder mercado. Essas pessoas sabem que não basta “saber fazer”.

Deixo aqui meus sinceros agradecimentos a esses fotógrafos, que compartilham não só seu trabalho belíssimo, mas também os caminhos que eles percorrem. Talvez um dia eu faça um post só para indicar essas feras.

OBS: eu já tive mestres que me ensinaram ao vivo, viu gente! Leonardo Mendonça e Marcos Barbosa, em especial. E já tive a oportunidade de comprar livros de fotografia, para aprofundar mais no conhecimento. Próxima meta: cursos!

OBS2: esse texto não é, de forma alguma, a defesa da não-remuneração da produção intelectual. Ao contrário, valorizo e incentivo a produção [remunerada] de livros e de cursos. O conhecimento divulgado e compartilhado gratuitamente é apenas uma parte do que pode ser aprendido.





Fotógrafo iniciante, conheça sua câmera!

1 06 2010

Esse é o texto que eu gostaria de ter escrito. Na verdade, é o texto que eu gostaria de ter encontrado quando comecei a estudar fotografia. Hoje é bem simples entender o papel do sensor, do diafragma, do obturador e do ISO, mas foi difícil no começo. No meu TCC eu chego a fazer essa comparação entre a câmera fotográfica e o aparelho visual humano (olhos + nervos + cérebro), mas não pude (e nem precisava) me aprofundar tanto na metáfora.

Foto de Leonardo Mendonça

Chega de papo, vamos à explicação, breve e clara:

1. Sensor: é o cérebro. É onde a imagem será processada e armazenada. Essa etapa da visão a ciência ainda não conhece de maneira detalhada, portanto, quem sou eu para dizer mais do que isso aí…

2. O ISO representa o grau de sensibilidade dos olhos à luz. Quanto maior o valor do ISO, maior sua sensibilidade. Na prática, isso significa que, ao fotografar externas em dias de sol, o ISO 100 em geral é suficiente. Já durante uma festa, um jantar em um ambiente mais escuro e durante a noite, é necessário usar valores de ISO acima de 800 para conseguir uma imagem clara. Aqui entra um detalhe: quanto maior o valor do ISO, mais grãos vão aparecer na fotografia. Mas não se preocupe, muitas das vezes esses grãos são charmosos e compõem bem fotografias clássicas, como retratos em preto e branco.

3. A abertura é determinada pelo diafragma, como a pupila. Quanto maior a abertura (e menor o número que a representa), mais luz pode entrar na câmera e atingir o sensor. Como quando saímos para a rua e  sol está bem forte, nos sentimos temporariamente cegos, e a claridade é intensa durante os segundos em que nossas pupilas se contraem e diminuem a abertura que permite a passagem dos raios luminosos até a retina. Isso é como uma superexposição. O contrário também é válido, a sub-exposição pode ser comparada ao momento em que voltamos para um ambiente mais escuro e as pupilas demoram a ampliar a sua abertura.

4. O obturador é a piscada. Ou seja, a velocidade do obturador vai determinar por quanto tempo o sensor ficará exposto à luz, assim como a velocidade das nossas piscadas determina o quanto expomos a retina.

Uma das coisas mais importantes a se aprender na fotografia é justamente lidar com essas variáveis para encontrar a melhor exposição em cada situação e tipo de luz. Em um próximo post, vou exemplificar com imagens as diferenças que os ajustes dessas variáveis causam na imagem final.

Ah, sim! O post original, em inglês, eu vi no DPS, claro.








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