05 de novembro – Dia do Designer

5 11 2012

Para marcar o Dia do Designer, resolvi trazer uma listinha criada por Dieter Rams, designer industrial alemão.

 

1. Um bom design é inovador

2. Um bom design torna um produto útil

3. Um bom design é estético

4. Um bom design torna um produto compreensível

5. Um bom design é discreto

6. Um bom design é honesto

7. Um bom design é duradouro

8. Um bom design é completo, até o último detalhe

9. Um bom design é ecologicamente correto

10. Um bom design é o mínimo possível

Nem só de camadas e filtros se faz um bom designer!





Sombrinha prática e ecológica. Será?

7 07 2012

Levante a mão aí quem souber responder essa: o que nós, habitantes da Cidade das Mangueiras, temos em comum com londrinos?

Acertou quem respondeu “a necessidade de fugir da chuva”.

A designer Shiu Yuk Yuen, observando o hábito inglês de se proteger da chuva com jornal (hábito especialmente comum no centro da cidade, onde há uma edição de distribuição gratuita), criou um suporte para otimizar seu uso, mas que também pode ser utilizado com sacolas plásticas ou outro material similar ao alcance das mãos.

Conheça a Eco Brolly e seu processo de montagem

Em Belém, não é tão comum a utilização de jornal para proteger da chuva, até porque a nossa chuva geralmente chega forte demais para uns pedaços de papel. Há que se considerar ainda que, graças ao calorzinho tropical da cidade, não usamos casacos ou outras peças de tecidos mais pesados, o que nos torna ainda mais vulneráveis mesmo ao chuvisco. Mas talvez umas sacolas plásticas seriam bem vindas. Eu, por exemplo, sempre tenho no mínimo uma, dobradinha em triângulo, guardada na bolsa.

Aí eu me questiono: qual o fator ecológico do produto, se eu vou utilizar um jornal e descartá-lo sem nem ao menos ter feito uso de sua principal função? Será realmente ecologicamente correto usar sacolas de plástico ou outro produto similar, já que provavelmente ele ficará inutilizável após a chuva?

Por outro lado, a praticidade do objeto retrátil e pequeno o suficiente para ser guardado no bolso como um pequeno estojo chega a ser mais interessante que as menores sombrinhas que já vi pelo mercado. No entanto, como sou adepta dos enormes guarda-chuvas (que realmente protegem da nossa querida “chuva das duas”), essa vantagem é irrelevante.

E você, queria ver a Eco Brolly à venda na João Alfredo, ou no comércio da sua cidade?





Divulgadas imagens dos ingressos para os Jogos Olímpicos de Londres 2012!

24 05 2012

Me deparei hoje cedo (aqui) com as primeiras imagens de alguns ingressos criados para as próximas olimpíadas, em Londres. Confesso que fiquei surpresa, e aparentemente, de maneira positiva.

Logo quando foi divulgado o SIV dos Jogos Olímpicos de 2012, em meados de 2007, houve um grande reboliço entre designers e outros profissionais de comunicação. A marca apresentada foi duramente criticada por conta do aspecto oitentista das cores fortes e traços geométricos, e houve até quem considerasse que a marca cumpriu aí mesmo sua função: ficar impregnada em nossas mentes e se tornar inesquecível até o momento de seu uso mais intensivo, durante o período dos jogos.

Pois bem, agora podemos conhecer uma de suas mais emblemáticas utilizações: os ingressos. São eles que serão guardados em caixas de recordações, pregados em murais de quartos e grampeados em agendas, como a prova incontestável da presença na plateia e lembrança de momentos marcantes para muita gente.

ingressoslondres

Ingressos para Jogos Olímpicos de Londres 2012

Olha, pessoal, até que não está como eu imaginava que seria. Continuo vendo a marca dos jogos com baixa legibilidade, principalmente em proporções reduzidas. Mas até que a escolha das cores ficou interessante, considerando o uso discriminado por localização do evento. Os pictogramas de cada modalidade olímpica também me preocupavam, mas percebo agora uma boa leitura dos pequenos ícones vazados colocados abaixo dos aros.

Ainda vejo com certa restrição também os traços desnecessários nesses mesmos pictogramas, quando usados na área de destaque do ingresso. O que aparentemente foi colocado ali para atribuir dinamismo e energia às imagens acaba se tornando poluição em um certo nível (minimalista, muito prazer).

Já a hierarquização das informações me encantou: data, horário, e um “código de entrada” (nunca estive em um evento esportivo dessas proporções, não sei o que é isso, beijo) dispostos de maneira clara. Até o detalhe do mini mostrador de relógio analógico indicando a posição dos ponteiros no horário do evento foi um detalhe bem pensado! Abaixo da área focal do leiaute, que destaca o pictograma da modalidade sobre um mosaico nas cores atribuídas a cada locação diferente, os dados da entrada e localização do assento também são facilmente identificáveis. Só não consegui identificar algum propósito claro na utilização de duas cores no pictograma maior, e prefiro acreditar que o propósito não ficou evidente do que pensar em uma aplicação aleatória…

E vocês, o que acharam do visual dos ingressos?

Via My Modern Met.





Cadeira Springer. Cadeira?

15 09 2011

Esta peça, criada pelo estúdio polonês Beautic, é confeccionada com um único tubo de aço, formando seis triângulos sobrepostos que, segundo seus criadores, uma certa concentração de energia. Um louvor à simplicidade e à força.

Vejam a peça em perspectiva.

Estava cá pensando com meus botões que não é de todo um desastre. Sim, porque não consigo imaginar esse escorredor de pratos como uma cadeira. Mas seria bem interessante talvez como porta-revistas, ou algo assim. Se for produzido em uma escala menor, quem sabe até não seria um porta-guardanapos bem sofisticado…

Falando sério, você se sente confortável com a mera ideia de usar esse objeto para sentar? Observem a fotografia abaixo:

Estava tão confortável que a criatura saiu voando dali... eu hein...

Talvez por isso ainda esteja em busca de uma empresa que a produza…

Vi aqui.





Cadeira de fósforo.

18 07 2011

Minha busca pelo sentido de criar objetos que não inspirem segurança e conforto continua. A mais recente descoberta dessa designer que vos fala é esta cadeira aí:

Curt Chair, por Bernhard-Burkhard. Um desafio, por certo.

A criação é do estúdio suíço de design Bernhard|Burkhard.

Ok, a produção dessa cadeira deve ser incrivelmente simples e barata, mas eu não vejo segurança nela. A bem da verdade, já não me sinto muito segura no modelo que provavelmente serviu de inspiração para essa, a nossa velha conhecida espreguiçadeira. Não bastasse a falta de mais apoio no chão, os designers aplicaram um revestimento anti-derrapante que deixou as hastes com a cara de palitos de fósforo, reforçando bem a sensação de perigo…

Puro conforto, mas sensação de segurança, cadê?

Há que se considerar também as restritas possibilidades de superfícies a serem usadas como apoio para a cadeira; tanto na parede como no piso, deve-se procurar materiais propícios à resistência e atrito. Resumo: uma cadeira para quem gosta de viver perigosamente.

Eu não conheço o projeto da cadeira, a única informação que encontrei no site do estúdio se refere ao uso do material anti-derrapante, e ainda assim, o texto de apresentação do produto sugere que ele só seja usado em superfícies perfeitamente perpendiculares. No entanto, na condição de graduada em design de produtos e, principalmente, de consumidora, eu acredito que os objetos do nosso cotidiano devem não só ser seguros, como transmitir essa segurança visualmente. Nós somos seres visuais, a imagem é a principal fonte de informação para a grande maioria das pessoas. Ainda que tenha sido testado e aprovado, um produto pode não ser bem aceito se der a impressão de fragilidade ou falta de segurança.

Bem, vamos considerar que a Cut Chair não é exatamente um objeto cotidiano, não é mesmo?

Vi primeiro aqui.





Da série “semioticamente paradoxal”: cadeira transparente.

16 07 2011

Esta série rende muito pano pra manga, não acham? Talvez pelo sucesso crescente daquilo que, embora seja conhecido como design, eu costumo encaixar na categoria “obra de arte”. É uma discussão recorrente no meio acadêmico, onde estamos justamente para construir conhecimento, a questão dos limites entre design e arte.

Alguns delimitam o design à produção em larga escala, outros costumam chamar “peças de design” àquele mobiliário moderno, criado por grandes nomes cuja assinatura coloca os preços de tais objetos nas alturas. O fato é que o design como conhecemos surgiu com a Revolucão Industrial mesmo, período em que a produção artesanal de objetos foi transformada em um processo com duas etapas distintas: o projeto (esforço mental) e a execução (esforço da máquina). Lembrando que esse é um aspecto referente ao design de produtos, mas que não se aplica, por exemplo, ao design gráfico, que tem uma trajetória diferente e mais antiga.

Pois bem, esse design industrial surgiu para atender a uma necessidade específica de produção de objetos em série. Porém, mesmo priorizando viabilizar os custos da produção em série, muitos desses projetistas tinham sua formação justamente em escolas de belas artes. Pode-se dizer, então, que esse trânsito do design entre a arte e a engenharia tem suas origens confundidas com as origens da própria profissão, e perdura até os dias de hoje.

E aí, com toda essa discussão rolando, eis que me aparece essa poltrona:

Uma fina armação metálica envolta em filme plástico? Aham, senta lá!

Segundo a firma japonesa de design Nendo, responsável pela criação da Transparent Chair, o filme de poliuretano usado na produção da cadeira tem alta elasticidade e capacidade de voltar ao seu estado normal, sendo inclusive usada para embalar instrumentos de precisão e produtos suscetíveis a choques e vibrações.

Tudo bem, ela é bonita, tem um visual clean que cairia bem em muitos estilos diferentes de decoração, mas… Ah, sempre fica essa sensação no ar. Posso mesmo sentar aí? Não vai rasgar esse filme? Gente, os caras dizem que é uma relaxante sensação de estar flutuando. Tenho a impressão de que minha musculatura demoraria um bom tempo para realmente relaxar sobre essa estrutura.

Olhaí, a mocinha totalmente relaxada, toda trabalhada no Pilates...

E você, já quer ou já desistiu de entender como alguém vende essa cadeira? Você acha que o designer de produtos deve se preocupar tão somente com a produção em escala industrial na dicotomia forma/função? Ou cabe também a este profissional criar produtos que nos estimule os sentidos e aguce nossa curiosidade, ainda que sejam pouco funcionais ou tenham preços exorbitantes?





Sobre ética e design(ers)

14 07 2011

Um dos blogs de design mais queridos no meu Google Reader é o designices, do Rogério Fratin. Além de fazer resenhas super convidativas sobre apaixonantes livros de design, o cara vez por outra traz uma discussão pertinente à carreira e ao mercado. E um texto recentemente publicado por lá abrange uma temática indispensável na vida de qualquer pessoa, mas que muitas vezes não é devidamente discutida quando falamos sobre o design na comunicação e na criação de produtos: a ética. (Recomendo que você leia aqui antes de continuar)

Me lembro, logo após ingressar no curso de Design de Produtos, de reencontrar amigos da escola e “disputarmos” qual, dentre nós, estava seguindo a profissão mais “importante”.

Era futuro médico dizendo que salva vidas, futuros advogados falando sobre leis e direitos, e eu lembro de ter dito assim: todos vocês querem trabalhar para ter dinheiro, e poder comprar as coisas que nós, designers, projetamos. Na hora nem me dei conta, mas hoje vejo o quanto isso é sério.

Não dá pra dizer que o atual estado das coisas é culpa dessa nossa geração, mas essa nossa geração é quem pode mudar as coisas para um futuro menos consumista, compulsivo e superficial.

Mercado de luxo, onde o design é imprescindível da embalagem à publicidade.

O tão somente uso da palavra “design” em um produto já passa a agregar um valor afetivo a este, de carros a batedeiras, de canetas a eletrônicos.

Não quero entrar no mérito do marketing e da publicidade, mas enquanto designers, vejo a nossa ética exatamente nessa preocupação com o que estamos comunicando. E não é só no design gráfico em peças publicitárias não. A falta de ética no design pode estar também em um produto planejado para durar menos, no uso de materiais pouco resistentes para sua função, ou outro truque qualquer que reduza o tempo de vida útil do objeto em questão. É criar “tendências” de estilos que são ultrapassadas cada vez mais rápido, tornando um celular funcional e útil em um aparelho obsoleto apenas pela troca de uma entrada de carregador.

A ética não pode deixar de ser observada também pelo profissional autônomo/free lancer, desde à proposta de orçamento até a sua relação com os “concorrentes”. Vender um serviço por um preço muito abaixo do mercado não só prejudica o profissional, que não será capaz de gerar lucros (e muitas vezes nem mesmo cobrir os custos), mas também prejudica o mercado, forçando uma queda no valor do design percebido pelos clientes.

E tem uma prática, bem comum inclusive, que muita gente nem percebe como falta de ética: o profissional, ainda sem muita experiência, se passa por cliente e entra em contato com outros profissionais do mercado para descobrir seus preços. Essa prática, além de anti-ética, não é nem um pouco eficiente. Um profissional monta seu preço de acordo não só com o mercado e com sua capacidade e talento, mas também com base nos seus custos operacionais. Se o cara aluga um bom escritório bem localizado, tem equipamentos de ponta, secretária, internet banda larga, conta de energia alta, terceiriza serviço de entrega e faz cursos constantemente, seu preço não pode ser comparado ao de um recém formado que usa o computador da casa e não desembolsa nada para pagar as contas dos recursos que utiliza. Não estou desmerecendo o trabalho do recém formado, é uma questão de custos.

E você, onde acha que a ética não pode faltar?

 

 

 

 

 

 








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