Essa é a pergunta que apavora qualquer egresso do curso de design. Uma das primeiras coisas que se deve aprender sobre a área é a diferença entre o profissional e a atividade. Claro, a confusão é compreensível por se tratar de um termo estrangeiro que não ganhou [ainda] uma ortografia nacionalizada. Para conhecedores do inglês, é só lembrar que o sufixo -er geralmente determina aquele que executa uma ação. Logo, quem fez designer foi minha mãe. Eu faço design. Simples assim.

Eu fiz o design do meu próprio anel de grau, por exemplo.
Porém, a ortografia correta dos termos é o menor dos problemas para quem trabalha na área. A grande discussão gira em torno da regulamentação da profissão.
Até bem pouco tempo atrás, eu era do time do contra. Achava que a regulamentação não só não resolveria os problemas do designer, como ainda poderia atrapalhar. Tudo bem, seria legal ter um piso salarial regulamentado e os outros benefícios que qualquer carreira tem. Mas ainda pensava ser muito injusto que alguém talentoso e com experiência não pudesse ser designer, enquanto egressos de um curso totalmente despreparados tivessem o aval de um pedaço de papel. E eu dizia isso com conhecimento de causa. Tenho um diploma que me afirma habilitada a fazer projeto de produto, mas as quatro disciplinas Projeto de Produto conheceram meus piores desempenhos durante o curso.

Viu? Tem meu nome e o título de Bacharel em Design =)
E foi exatamente este argumento, que convenceu a Ligia Fascioni a mudar de opinião, que também me fez repensar o caso.
Sem a regulamentação da profissão, as áreas “vizinhas” podem começar a “abocanhar” atividades que deveriam ser executadas por designers. Como, aliás, já acontece. Não é raro encontrar, nas próprias instituições de ensino superior, o incentivo a isso. Vemos alunos dos cursos de marketing se deparando com a criação de leiautes nas disciplinas de design, ao invés de aprenderem como o design deve estar inserido em seu trabalho. Alunos de arquitetura desenvolvendo produtos de decoração, alunos de publicidade desenvolvendo logomarcas, e por aí vai.
Sim, mas e daí? Se eles não são preparados para desenvolver o projeto de um produto, ou um projeto gráfico, adequadamente, eles não vão tirar o lugar dos bons designers, né? NÃO, não é!
O problema é justamente esse. Se a lei não determinar que só um designer pode elaborar o projeto de um produto, os outros profissionais da criação podem começar a abocanhar nossa área de atuação. O pessoal do CREA pode resolver determinar que só arquitetos podem criar móveis, por exemplo. Já imaginou, precisar de diploma de publicitário para elaborar uma identidade visual?
Devemos pensar na regulamentação não como uma forma de privilegiar os diplomados sem qualidade em detrimento dos bons profissionais que não dependeram de um curso formal, e sim como um instrumento de reafirmação do designer, uma forma de garantir os direitos de atuar como tal no mercado formal e, de quebra, garantir piso salarial e outros benefícios indispensáveis.
Por mais que eu nem queira atuar como designer e nem goste de ser apresentada como designer, eu ainda sou apaixonada pelo design, e não quero ver o bom design prejudicado em nome de burocracias por falta de empenho da classe.
Para mais informações e opiniões:
Regulamentação do Designer: A quem interessa?
Os afins que se unam
Responsabilidade e regulamentação da profissão
Regulamentação ou mudança cultural?
Uma análise da quantidade de faculdades de design no Brasil
Encontros e desencontros
Regulamentação da Profissão: Design
Regulamentação do Desgn Já!
Regulamentação, ou design e o seu zé da venda
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