Dia do Design[er]

5 11 2010

Bolinhos coloridos pra comemorar!

Espero pelo dia em que saberão a diferença entre design e designer.

Espero pelo dia em que não precise mais ler “desing”, porque a palavra já estará incorporada ao vocabulário nacional, e será grafada desáine.

Espero pelo dia em que designers farão apenas design, publicitários apenas publicidade, marketeiros apenas marketing, arquitetos apenas arquitetura, e todos trabalhem em equipe, de forma saudável e produtiva.

Espero pelo dia em que todos os que querem ser designers entendam a importância do conhecimento teórico nas suas bagagens, bem como da prática da criação independente das ferramentas digitais. Que compreendam que a variedade de conhecimento é fundamental para uma mente criativa.

Bem, espero principalmente pelo dia em que, na posição de membro do corpo docente dos cursos de design, possa fazer minha parte para ver esse cenário mudar de verdade.

É isso o que eu desejo para todos os que trabalham, vivem, respiram, adoram e não sabem viver sem design.





Repensar o óbvio

17 05 2010

Pode parecer que a vida profissional do designer é um sonho: tem que nascer criativo e cheio de talento pra ganhar a vida criando coisas novas, né? O cara recebe uma ligação do dono daquela fábrica multinacional de eletrodomésticos pedindo que ele crie mais um equipamento pra cozinha, e ele desenvolve um cortar-lavar-picar-descascar-descaroçar-misturar-arrancar o dedo-fatiar, de preferência com função auto-limpante. Vai nessa…

Eu resumo o trabalho do designer com o que já se tornou quase um dito popular: 90% transpiração, 10% inspiração. Isso mesmo. Designer não passa o dia anotando idéias geniais no seu bloquinho de papel reciclado. É claro que o fluxo de trabalho muda de acordo com a área de atuação, mas em geral é mais ou menos assim: definição do problema, projeto informacional para aprender tudo e mais um pouco sobre o problema, levantamento de possíveis soluções, escolha do caminho a seguir de acordo com restrições e necessidades do projeto, protótipo e produto final. Exatamente. Só depois de muito pesquisar materiais, técnicas produtivas, mão-de-obra disponível, e uma série de outras coisas é que o designer começa a pensar em desenhar algo.

Portanto, criatividade é o resultado de muito conhecimento adquirido, e de um trabalho árduo para juntar as pecinhas que estão na sua mente de uma forma que resolva seu problema.

Eu fico imaginando, então, que caminhos o cara que criou essa estante percorreu antes de chegar nisso.

Genial?

Uma estante de livros que já vem com um aparador embutido e ajustável. Prático, simples, inovador. O tipo de idéia que faz qualquer designer se odiar por não ter pensado nisso antes.

Esse é um exemplo clássico de outra frase que já está se tornando lugar-comum no meio criativo: pense fora da caixa. O que nada mais é do que um resumo do que disse George Kneller, filósofo e professor: “Criatividade consiste no total rearranjo do que sabemos com o objetivo de descobrir o que não sabemos.” Unir a estante e o aparador em um produto integrado é um rearranjo de dois objetos do nosso cotidiano que, aparentemente, não apresentavam mais possibilidade de renovação. Criatividade com C grandão!

Só nos resta imaginar se foi resultado de uma longa pesquisa para um projeto determinado, ou se realmente surgiu de uma necessidade ocasional do criador da estante!

(Vi a estante aqui)





Ah, você fez designer?

12 05 2010

Essa é a pergunta que apavora qualquer egresso do curso de design. Uma das primeiras coisas que se deve aprender sobre a área é a diferença entre o profissional e a atividade. Claro, a confusão é compreensível por se tratar de um termo estrangeiro que não ganhou [ainda] uma ortografia nacionalizada. Para conhecedores do inglês, é só lembrar que o sufixo -er geralmente determina aquele que executa uma ação. Logo, quem fez designer foi minha mãe. Eu faço design. Simples assim.

Eu fiz o design do meu próprio anel de grau, por exemplo.

Porém, a ortografia correta dos termos é o menor dos problemas para quem trabalha na área. A grande discussão gira em torno da regulamentação da profissão.

Até bem pouco tempo atrás, eu era do time do contra. Achava que a regulamentação não só não resolveria os problemas do designer, como ainda poderia atrapalhar. Tudo bem, seria legal ter um piso salarial regulamentado e os outros benefícios que qualquer carreira tem. Mas ainda pensava ser muito injusto que alguém talentoso e com experiência não pudesse ser designer, enquanto egressos de um curso totalmente despreparados tivessem o aval de um pedaço de papel. E eu dizia isso com conhecimento de causa. Tenho um diploma que me afirma habilitada a fazer projeto de produto, mas as quatro disciplinas Projeto de Produto conheceram meus piores desempenhos durante o curso.

Viu? Tem meu nome e o título de Bacharel em Design =)

E foi exatamente este argumento, que convenceu a Ligia Fascioni a mudar de opinião, que também me fez repensar o caso.

Sem a regulamentação da profissão, as áreas “vizinhas” podem começar a “abocanhar” atividades que deveriam ser executadas por designers. Como, aliás, já acontece. Não é raro encontrar, nas próprias instituições de ensino superior, o incentivo a isso. Vemos alunos dos cursos de marketing se deparando com a criação de leiautes nas disciplinas de design, ao invés de aprenderem como o design deve estar inserido em seu trabalho. Alunos de arquitetura desenvolvendo produtos de decoração, alunos de publicidade desenvolvendo logomarcas, e por aí vai.

Sim, mas e daí? Se eles não são preparados para desenvolver o projeto de um produto, ou um projeto gráfico, adequadamente, eles não vão tirar o lugar dos bons designers, né? NÃO, não é!

O problema é justamente esse. Se a lei não determinar que só um designer pode elaborar o projeto de um produto, os outros profissionais da criação podem começar a abocanhar nossa área de atuação. O pessoal do CREA pode resolver determinar que só arquitetos podem criar móveis, por exemplo. Já imaginou, precisar de diploma de publicitário para elaborar uma identidade visual?

Devemos pensar na regulamentação não como uma forma de privilegiar os diplomados sem qualidade em detrimento dos bons profissionais que não dependeram de um curso formal, e sim como um instrumento de reafirmação do designer, uma forma de garantir os direitos de atuar como tal no mercado formal e, de quebra, garantir piso salarial e outros benefícios indispensáveis.

Por mais que eu nem queira atuar como designer e nem goste de ser apresentada como designer, eu ainda sou apaixonada pelo design, e não quero ver o bom design prejudicado em nome de burocracias por falta de empenho da classe.

Para mais informações e opiniões:

Regulamentação do Designer: A quem interessa?

Os afins que se unam

Responsabilidade e regulamentação da profissão

Regulamentação ou mudança cultural?

Uma análise da quantidade de faculdades de design no Brasil

Encontros e desencontros

Regulamentação da Profissão: Design

Regulamentação do Desgn Já!

Regulamentação, ou design e o seu zé da venda








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