Nos limites da verossimilhança – cenas cotidianas construidas no Photoshop

25 06 2012

É verdade que, há um bom tempo, minha rotina de tratamento de imagem se resume a correções de cor/brilho/nitidez, redimensionamentos e aplicações de marca d’água. Mas a fotógrafa Kelli Connell, ao meu ver, estabeleceu um novo parâmetro para que você possa afirmar que seu nível de conhecimento em Photoshop é avançado. Fazendo duas ou mais fotografias diferentes de um mesmo modelo, ela consegue reconstruir cenas que vivenciou, testemunhou ou viu na TV.

Gêmeas? Não!

Em seu site, Kelli afirma que o projeto representa um questionamento autobiográfico sobre sexualidade e o papel dos gêneros que molda o indivíduo no relacionamento.

Mais do que esse auto questionamento sobre polaridades comportamentais intencionado pela fotógrafa, percebo uma oportunidade de observamos a nossa relação com a própria imagem fotográfica e seu caráter de mimese da realidade. Antes de mais nada, é preciso reconhecer a técnica minuciosa e apurada da Kelli em suas colagens, pois é bem difícil, até mesmo para olhos treinados (de fotógrafos e outros profissionais da edição de imagens), identificar em suas imagens os elementos que denunciariam a mesclagem de duas ou mais imagens diferentes. Esta qualidade técnica, por si só, seria terreno fértil o bastante para gerar discussões ferrenhas sobre os limites da manipulação fotográfica e sobre a classificação da fotografia na tríade peirceana da relação do signo com seu objeto (se não entendeu nada da última sentença, veja aqui algumas postagens para compreender um pouco mais sobre semiótica peirceana).

Sério, ainda não consegui enxergar falhas.

Mas vamos complicar as coisas um pouco mais. Muita gente por aí atribui a falta de credibilidade da fotografia na atualidade ao uso indiscriminado da manipulação da imagem, impulsionado pelo desenvolvimento e massificação da tecnologia digital. Há alguns anos, uma boa montagem fotográfica só era possível através do conhecimento técnico avançado de um bom laboratorista, profissional gabaritado para manipular os produtos químicos usados no processo de revelação e cópia ampliada dos filmes fotográficos. Hoje basta ter um celular com câmera digital integrada e acesso à internet (para baixar e instalar uma versão pirata do famoso programa)  para conseguir resultados bem razoáveis em montagens. Dessa facilidade, deriva o mau uso das ferramentas, como o excesso de manipulação e a falta de apuro técnico; uma associação altamente passível de gerar imagens sofríveis. E quando se torna possível comparar resultados diferentes oriundos da mesma ferramenta, derruba-se imediatamente o conceito largamente difundido de que as ferramentas em questão (fotografia digital e programa de edição) são as vilãs da história.

E onde a tia Tereza queria chegar com este parágrafo imenso aí em cima? Ora, na incrível descoberta de que a Kelli digitaliza negativos para recriar suas cenas! Isso mesmo: ela utiliza a fotografia analógica em suas criações. (onde está o seu deus agora, hater?)

Agora, dê mais uma espiadinha nas imagens da Kelli e reflita sobre sua vida.

Gente, é um contra-luz! Ela faz montagem com fotos em contra-luz em plena golden hour!!!

De uma delicadeza sublime.

Vi no My Modern Met. Para conferir mais imagens, clique aqui.





Curso de Fotografia Digital em Belém

12 03 2012
Curso de fotografia digital em Belém
(Clique na imagem para ampliar)
Após muita expectativa, posso anunciar a parceria com a Documenta Cursos em um curso de fotografia digital! O módulo é básico, não precisa ter conhecimento prévio sobre o assunto. Ideal tanto para quem quer tirar melhor proveito do seu equipamento mesmo sem a intenção de profissionalização, tanto para quem quer entrar no mercado da fotografia mas ainda não conhece nada sobre a técnica fotográfica.
As inscrições estão abertas, as turmas ainda não fecharam. E atenção: se você tiver como formar o seu grupo independente (a partir de 5 alunos) entre em contato com a Documenta, você ganha o seu curso!
O horário do curso com a tia Tereza aqui será matutino, das 9h às 13h. Não esqueça de mencionar que soube do curso por mim =)
Objetivos:
 
Este curso vai introduzir as diferenças entre Fotografia Analógica e Fotografia Digital. Vai permitir-lhe compreender como funciona uma Câmara Digital, para que servem os Formatos de imagem e a sua utilização, a exportar as Imagens da Câmara para o computador e/ou software de edição, a tratá-las e optimizá-las. Serão ainda abordados os retoques e reconstrução de uma fotografia antiga, a impressão das imagens e o uso dos perfis de cor.
Carga Horária: 20 Horas
Pré-Requisitos: Ter o Curso de Photoshop – Fundamentos da Documenta ou conhecimento equivalente. É necessário que o aluno tenha desenvoltura no manejo do sistema operacional (copiar, colar, recortar, criar pastas, salvar, renomear). Navegação e utilização da Internet.
Material Didático: Exclusiva Apostila Digital Documenta
Mais informações:
contato@documentacursos.com.br
8129 5523/8819 1042/ 3083 0819





Oficina Recortes da Realidade

9 11 2010

Para quem não sabe, está rolando a Semana Acadêmica de Design da UEPA, também conhecida como Design aos 11. E se você sabe, deve ter visto na programação que eu, Tereza Jardim, vou ministrar uma oficina de fotografia nos dias 11 e 12 (quinta e sexta).

Por isso estou um pouco devagar nas atualizações, as forças estão concentradas na oficina desde a semana passada =)

Aqui vai a apresentação da oficina:

A oficina Recortes da Realidade foi concebida para instigar a reflexão sobre o papel da fotografia como registro documental do mundo que nos cerca. Considerando a área de formação do público da oficina, buscaremos alimento para a discussão em textos de Charles Sanders Peirce, Lúcia Santaella, Arlindo Machado, Philippe Dubois, entre outros.

Os alunos deverão levar uma câmera digital, preferencialmente que não seja embutida em outro aparelho eletrônico, com respectivo cabo USB para transferência das imagens; objetos pequenos como action figures, bonecas, toy art, miniaturas, etc.

Espero que o pessoal inscrito goste, a oficina foi preparada com muito carinho =)

Após o término do evento, disponibilizarei o material por aqui.

Informações: Blog e twitter do Centro Acadêmico de Design da UEPA – CADE

 

 





Na estampa!

5 07 2010

Em tempos de fotografia digital e câmeras poderosas cada vez menores e mais acessíveis, não é de se espantar que se precise de uma boa dose de criatividade para chamar a atenção do público consumidor. Foi o que nos trouxe a incrível câmera digital que transforma sua imagem em uma estampa de carimbo. Na hora.

Uma nova Polaroid? Nem tanto. Essa câmera criada pelo designer Jinhee Kim reproduz a fotografia que você fez em apenas uma cor, já que, aparentemente, é uma estampa como a de outro carimbo qualquer.

Mas será que vai vender? Quem é que vai querer uma fotografia reproduzida em uma cor só quando você pode mandar seus arquivos para um laboratório e ter cópias lindamente coloridas e cheias de detalhes? Bem, eu não sei vocês, mas eu com certeza compraria uma dessas pra mim!

Imaginem as possibilidades que essa câmera pode trazer. Penso que ela não vai competir nem mesmo com a Polaroid. Mas pense nos artistas. Pense nos designers com uma câmera dessas na mão. Sim, ainda nem sabemos se alguma fábrica vai produzir, muito menos os custos, mas só imagine.

Para pensar nisso, é preciso lembrar daquela discussãozinha sobre a fator “realidade” da fotografia. Muita gente pode reclamar que a estampa não é uma fotografia, porque não tá nas cores “reais”, não tem as texturas, não tem os volumes, os contrastes, blábláblá. Balela. Nenhuma fotografia é real, pergunte ao Arlindo Machado. Ou consulte meu TCC, na biblioteca do CCNT – UEPA Campus V.

Então, já que nem aquela imagem que você acreditava piamente ser a cópia fiel da realidade é real, se joga e aproveita pra brincar com o carimbo!

Eu vi primeiro aqui, depois aqui, aqui e aqui.








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