Lúcia Santaella em Belém – EU VOU!

30 03 2011

Isso mesmo. O post de hoje vai ser curtinho, só para vocês saberem que ela estará aqui nesse dia 30 de março de 2011, e que eu estarei lá, como representante do Ponto Zero, do Interpretante, e como tiete, claro.

Dá pra ler aí?

Quando eu voltar, conto pra vocês como foi. E mostro as fotos, né?!





Semiótica para iniciantes

11 02 2011

Como a procura por termos da semiótica tem sido constante e consistente aqui no blog, e o material está espalhado em várias postagens, vou ver se faço um resumão para colocar em 3 ou 4 partes.

Quem já foi apresentado à semiótica peirceana sabe que o assunto é bem complexo e bastante abstrato. Porém, com um pouco de dedicação, dá pra entender o mecanismo das tríades, e passar a compreender mais profundamente o estudo dos signos, e o mundo ao seu redor também.

No primeiro post vamos falar sobre as origens da semiótica, e principalmente, o início dos estudos de Peirce, já que é o sistema lógico dele o mais adequado para estudos de design e fotografia, por se tratar do mais abstrato e abrangente.

Pra muita gente, isso é uma viagem...

ORIGEM

Bem, pode-se dizer que a semiótica tem três origens diferentes e contemporâneas entre si. Aqui vale lembrar que os estudos sobre significação já remontam à Grécia Antiga, o que aconteceu no início do séc. XX foi a sistematização desse estudo em uma lógica própria.

Na antiga União Soviética do séc XIX, os estudos de linguística se desenvolveram intrinsecamente ligados às artes, especialmente cênicas. Alguns dos estudiosos mais influentes nessa matriz foram o linguista N. I. Marr, o psicólogo L. S. Vigotski e o cineasta S. M. Eisenstein, que relacionava diversas manifestações artísticas com sistemas de signos.

Já na França, os estudos de Saussure divulgados no Curso de Linguística Geral estão voltados para a linguagem, dando início ao estabelecimento da “língua como sistema ou estrutura regida por leis e regras específicas e autônomas”, segundo Santaella. Portanto, sua semiologia é bem mais voltada para estudos de linguagem verbal, articulada.

Por esta razão, os profissionais da área de criação e comunicação têm na semiótica desenvolvida por Charles Sanders Peirce uma ferramenta mais adequada, por se tratar de uma lógica cujos conceitos foram levados a uma abstração quase extrema, podendo ser aplicados, assim, à qualquer tipo de signo, seja verbal ou não-verbal; e principalmente visual, quando se trata do design de produtos, design gráfico ou da criação de peças publicitárias.

No próximo post, vamos apresentar melhor a formação que levou Peirce à construção da estrutura semiótica de estudo.

[Este post foi baseado no livro O que é Semiótica, da Lúcia Santaella]





A importância da semiótica na fotografia I

18 04 2010

Ok, vai ficar parecendo um post justificativo para o blog. Mas o fato é que tenho observado muita procura nesse tema. Então, nada mais justo que saciar a sede de quem vem aqui prestigiar o Interpretante Imediato, certo?

Primeiridad Primeiramente, é essencial notar que a fotografia não é um signo acidental. Ou seja, ela não é algo que, por um acaso, significa alguma coisa para alguém. O objeto fotografia, seja o de papel ou o digital, já nasce no intuito de significar seu objeto.

Mas por que pensar nisso agora? Elementar, meu caro leitor [sim, adoro clichês, beijos]. Sendo a fotografia um signo criado para significar algo, fica claro que a semiótica é uma ferramenta absurdamente essencial para quem estuda os aspectos conceituais dessa arte, em vários níveis. A bem da verdade, o próprio estudo da fotografia já nos dá uma base teórica que podemos chamar tranquilamente de análise semiótica.

Vejamos: quando se diz que, ao enquadrar o objeto principal da foto no canto esquerdo, passamos a sensação de que ele tem um caminho pela frente, de que ele está “indo”, principalmente se houver uma linha evidente atravessando a imagem, como uma estrada ou o horizonte.

O posicionamento da pessoa no canto esquerdo de frente para o lado direito da foto, somado à linha do horizonte, faz com que nossos olhos percorram exatamente esse caminho.

Agora, se o objeto estivesse posicionado no mesmo canto, mas de costas para o lado direito, teríamos a sensação de que o caminho já foi percorrido. Veja:

Aqui, ainda que a imagem seja vertical (o que chamamos de posição retrato), a garça está "de costas" para a alameda, e a nossa leitura é a de que ela não vai sair de onde está.

E o que isso tem a ver com semiótica? Bem, é simples. A semiótica peirceana é, como disse a tia Santaella, “um método científico para orientar o raciocínio”. Sendo assim, podemos dizer também que essa semiótica nos fornece as ferramentas para compreender processos sígnicos, certo? E sabemos que a humanidade é eminentemente baseada em signos, em representação, em interpretação de signos, certo?

Afinal, Santaella também nos diz que “…o simples ato de olhar já está carregado de interpretação, visto que é sempre o resultado de uma elaboração cognitiva, fruto de uma mediação sígnica que possibilita nossa orientação no espaço por um reconhecimento e assentimento diante das coisas que só o signo permite”.

Bem, se todo o nosso contato com o mundo se dá por mediação sígnica, e a fotografia é um signo em sua razão de ser, é evidente que a semiótica é um método fundamental para melhor criar, ler e analisar imagens fotográficas.

O exemplo acima, acerca do posicionamento do objeto no enquadramento da foto, é apenas um dos aspectos onde a semiótica pode facilitar tanto a criação quanto a leitura de uma imagem fotográfica. É claro que qualquer fotografia sempre vai transmitir uma mensagem a alguém, mas quando você tem exata noção de como representar o que se quer dizer, a chance de que a mensagem chegará ao receptor sem grandes distorções é bem maior.

Sinto que esse post não esgotou o assunto, então aguardem o próximo capítulo =)






Experiências com primeiridade

8 04 2010

Ahhhh eu não sei vocês, mas eu estava morrendo de saudades dos post semióticos. Estava? Sim! ESSE é um post semiótico, yaaay!

Ok, chega de saudades e mãos à obra.

Hoje vou falar sobre a experiência com primeiridade. Por quê? Porque é um dos termos que mais traz visitas ao Interpretante.

Lá atrás eu falei um pouco sobre as três categorias de Peirce, e se você não leu ou não sabe o que é, sugiro dar uma espiada. Se você já tem uma boa noção, pode continuar aqui mesmo.

Não esquecendo que grande parte dos signos mesclam as três categorias em si [ícone, índice e símbolo, quando classificados em relação ao seu objeto], vamos utilizar um signo predominantemente icônico para tentar analisar a experiência da primeiridade. Em geral, a leitura de um signo passa por três etapas, cada uma delas referente a uma das categorias peirceanas, e a primeiridade é a mais efêmera e fugaz. Vou começar com a seguinte afirmação do Peirce:

“Um ícone, entretanto, é, estritamente, uma possibilidade envolvendo uma possibilidade, e assim, a possibilidade de ele ser representado como uma possibilidade é a possibilidade da possibilidade envolvida. É apenas nesse tipo de Representamen, então, que o Interpretante pode ser o Objeto.”

Bem explicadinho, não é! Não?!! Tá bom, vou tentar explicar de outro jeito. Vamos ver o que a Santaella tem a nos dizer a esse respeito.

“No caso do ícone – a mais tenra e rudimentar forma de signo – o objeto só vem a existir na medida em que surge um interpretante que passa a funcionar, em termos de possibilidade, como objeto daquele signo.”

Ou seja, esse signo icônico está lá, existindo, sendo apenas ele mesmo, e não há nele nenhuma intenção de representar alguma coisa. Ele só se torna signo quando atrelamos um objeto a ele. Vou facilitar ainda mais trazendo para um exemplo concreto. Observe essa imagem:

Verde. Só isso.

Viu? Olhe de novo. Olhe apenas para o retângulo verde. A cor verde. Você consegue identificar a sensação que uma simples superfície verde te passa?

Não estamos ainda falando de quando você se lembrar do brócolis no almoço, ou da bandeira nacional, ou do musgo tomando conta do muro do quintal. É só a sensação inicial, sem relação com coisa alguma que já esteja na sua mente. Se você conseguir identificar, essa provavelmente é a primeiridade.

Voltemos agora ao Peirce. Dá pra ter uma idéia mais clara do que ele quis dizer com a possibilidade, certo? A cor verde, em si, não significa nada além dela própria [é o caso em que o Interpretante pode ser o Objeto]. Ela só adquire um significado quando nós nos lembramos de alguma coisa ao ver uma superfície verde. É a possibilidade de significar algo. É a possibilidade de você se lembrar do brócolis ou da bandeira do Brasil, e ela depende da sua experiência colateral, já que essa relação não reside na cor em si.

Vale também lembrar os estudos em psicodinâmica das cores, muito útil para profissionais da comunicação, por nos orientar com relação às sensações mais comumente relacionadas a cada cor.

Ficou claro, turma leitores? Dúvidas e complementos serão sempre bem vindos nos comentários.





Referências Bibliográficas

23 09 2009

Bem, já que muitos visitantes têm vindo em busca de informações sobre semiótica, resolvi colocar aqui as minhas fontes. Não acho recomendável usar os meus textos como pesquisa, eu escrevo apenas com o objetivo de facilitar o entendimento da lógica peirceana [ensaiando pra carreira acadêmica, beijos.].

Por isso, vou dar uma pausa nas séries e postar aqui uma listinha básica que eu uso como referencial. Começando dos mais básicos em direção aos mais detalhados e aprofundados, ok?

O que é Semiótica - Lúcia Santaella [aqui, aqui ou aqui]

Semiótica Aplicada – Lúcia Santaella

Teoria Geral dos Signos – Lúcia Santaella

Semiótica – Charles Peirce [Col. Estudos]

Além desses livros, encontrei um artigo muito bom do Arlindo Machado, A Fotografia como Expressão do Conceito. Ele coloca em xeque a definição clássica de que a fotografia é fundamentalmente indicial, e explica porque a considera simbólica. Casou perfeitinho com a minha hipótese do TCC!

Enjoy it, kids!

PS: não ganhei nada pra linkar as livrarias e editoras








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