BRT Belém – Apresentação da marca

10 10 2012

Quem mora em Belém já não aguenta mais ouvir a sigla BRT, essas três letrinhas que, juntas, atrapalham a rotina diária de milhares de moradores da região metropolitana da capital paraense, direta ou indiretamente. Mas como este não é um blog jornalístico, político ou algo que o valha, vamos ao que interessa: a apresentação da marca do projeto.

Não quero nem entrar em detalhes do site (até a marca do twitter está sendo utilizada de forma inadequada, de acordo com as regras publicadas pela própria administração da rede social), vou me ater à página de apresentação da marca do projeto. Observem bem na captura de tela abaixo.

Marca BRT Belém

Apresentação da marca BRT Belém no site do projeto.

Acompanhem comigo: o texto começa errado porque apresenta erros grosseiros de ortografia, pontuação e concordância. Sim, isso é um recado direto aos profissionais e estudantes de design que não enxergam a importância do domínio da língua portuguesa (ou qual seja a língua utilizada no contexto). Um texto mal redigido, além de não apresentar coerência e fluidez, é capaz de derrubar a boa reputação de um profissional.

Imaginando que o texto estivesse dentro da norma culta adequada para a língua escrita, sua redação ainda não estaria coerente. No item “Sustentabilidade”, por exemplo, o trecho “A cor Azul turqueza está associada ao conceito de sustentabilidade, reduzindo o nível de CO2 atmosfera da cidade de Belém” (sic) nos deixa interpretar que o mero uso da cor na marca traz como consequência a redução do nível de dióxido de carbono emitido, uma informação obviamente incorreta.

Sobre a marca em si, a própria utilização da imagem (hipoícone) do ônibus é questionável. Uma marca não precisa apresentar o que ela representa (seu objeto) figurativamente, como olhos em marcas de clínicas oftalmológicas, ou grandes dentes antropomorfos em clínicas odontológicas. Para uma marca ter pregnância visual, ou seja, para que ela seja facilmente visualizada, interpretada e memorizada, é preciso simplificar o quanto for possível a sua forma (gestalt, um beijo!). Desta forma, se era realmente necessário desenhar o ônibus na marca do projeto, sua representação poderia estar mais simplificada, considerando ainda a dificuldade de visualização dos seus detalhes quando a marca for utilizada em sua forma reduzida.

A representação em perspectiva linear poderia até ser justificada como representação de dinamismo e velocidade, dois conceitos positivos relacionados ao projeto. Mas sua apresentação foi atribuida à “tecnologia que os ônibus da BRT terão ao trafegarem pela cidade” (sic), mais uma vez sugestionando um conceito equivocado (no caso, de que os ônibus adquirem tecnologia ao trafegarem nas vias da cidade).

Por fim, a perspectiva da faixa branca é apresentada como um recurso para “simbolizar de forma subjetiva” (sic) os corredores e canaletas do projeto. Semioticamente falando, não consigo compreender como seria um símbolo não-subjetivo, pois o símbolo, em si, já é um signo que produz uma ideia geral, que vai ser interpretada diferentemente por cada indivíduo. Ou seja, é subjetivo na sua essência! Porém, devemos considerar a possibilidade do uso do termo “simbolizar”  fora do seu conceito semiótico. Neste caso, a expressão é apenas uma forma de utilizar termos técnicos sem muito critério.

E vocês, o que acharam?

***ATUALIZANDO***

Antes da publicação desse texto, fui apresentada a outro site do mesmo projeto, o brtbelem.com.br. O susto? Um leiaute completamente diferente, incluindo a marca do projeto. Estou achando melhor deixar a análise desta outra marca para outro post, concordam?





Divulgadas imagens dos ingressos para os Jogos Olímpicos de Londres 2012!

24 05 2012

Me deparei hoje cedo (aqui) com as primeiras imagens de alguns ingressos criados para as próximas olimpíadas, em Londres. Confesso que fiquei surpresa, e aparentemente, de maneira positiva.

Logo quando foi divulgado o SIV dos Jogos Olímpicos de 2012, em meados de 2007, houve um grande reboliço entre designers e outros profissionais de comunicação. A marca apresentada foi duramente criticada por conta do aspecto oitentista das cores fortes e traços geométricos, e houve até quem considerasse que a marca cumpriu aí mesmo sua função: ficar impregnada em nossas mentes e se tornar inesquecível até o momento de seu uso mais intensivo, durante o período dos jogos.

Pois bem, agora podemos conhecer uma de suas mais emblemáticas utilizações: os ingressos. São eles que serão guardados em caixas de recordações, pregados em murais de quartos e grampeados em agendas, como a prova incontestável da presença na plateia e lembrança de momentos marcantes para muita gente.

ingressoslondres

Ingressos para Jogos Olímpicos de Londres 2012

Olha, pessoal, até que não está como eu imaginava que seria. Continuo vendo a marca dos jogos com baixa legibilidade, principalmente em proporções reduzidas. Mas até que a escolha das cores ficou interessante, considerando o uso discriminado por localização do evento. Os pictogramas de cada modalidade olímpica também me preocupavam, mas percebo agora uma boa leitura dos pequenos ícones vazados colocados abaixo dos aros.

Ainda vejo com certa restrição também os traços desnecessários nesses mesmos pictogramas, quando usados na área de destaque do ingresso. O que aparentemente foi colocado ali para atribuir dinamismo e energia às imagens acaba se tornando poluição em um certo nível (minimalista, muito prazer).

Já a hierarquização das informações me encantou: data, horário, e um “código de entrada” (nunca estive em um evento esportivo dessas proporções, não sei o que é isso, beijo) dispostos de maneira clara. Até o detalhe do mini mostrador de relógio analógico indicando a posição dos ponteiros no horário do evento foi um detalhe bem pensado! Abaixo da área focal do leiaute, que destaca o pictograma da modalidade sobre um mosaico nas cores atribuídas a cada locação diferente, os dados da entrada e localização do assento também são facilmente identificáveis. Só não consegui identificar algum propósito claro na utilização de duas cores no pictograma maior, e prefiro acreditar que o propósito não ficou evidente do que pensar em uma aplicação aleatória…

E vocês, o que acharam do visual dos ingressos?

Via My Modern Met.





Ainda sobre reciclagem…

3 05 2010

No mesmo blog em que vi as borboletas de latinhas, encontrei essas cadeiras produzidas com um compósito de PET reciclado e outros materiais. A cadeira é resultado de uma parceria entre a Emeco, uma indústria de móveis de alumínio, e a Coca-cola, que acredito dispensar apresentações.

As cores ficaram bem legais, não?

Para produzir cada cadeira são necessárias 111 garrafas recicladas do refrigerante de cola; cada cadeira tem aproximadamente 60% de PET [ Polietileno tereftalato ] e uma combinação de elementos que vão de pigmentos a fibra de vidro, para dar mais resistência. Por enquanto, estão a venda somente aqui.

Eu concordo que a cadeira é bem bonita, as cores são legais e ela parece confortável. Mas quem estuda design deve ir um pouco além do combo forma/função, certo? Então me pergunto: qual o custo de produção das cadeiras? Será que o valor de duzentos e trinta dólares por unidade reflete apenas o design reconhecido da Navy Chair e a marca da Coca-Cola? Porque sabemos que, mesmo sem etiquetas famosas, em geral os preços finais são maiores que o de produtos não-reciclados [vide o preço da resma de papel reciclado]. Talvez tenhamos aqui um caso semelhante ao do ventilador Spirit, que é todo ecologicamente correto, teve o seu design premiado e custa uma fortuna?

E com relação à durabilidade, qual a vida útil? Qual o peso máximo que ela suporta com segurança? Segundo o site onde a cadeira está à venda, a produção foi pensada de forma a reproduzir a mesma qualidade, durabilidade e segurança das cadeiras Navy originais, de alumínio. Mas, são eles que estão dizendo, né?

Eu pergunto: você compraria?

[UPDATE: encontrei um post mais completo no Ypsilon2]








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