Coleção Raio-que-o-Parta 2011: Belém sem cheiro de patchouli

23 02 2011

No último sábado (19/02), fui fazer a cobertura fotográfica do lançamento da coleção Raio-que-o-Parta 2011, de Ná Figueredo, pelo Ponto Zero. O release enviado para que a gente publicasse no site já era tentador para qualquer papa-chibé apaixonado por design. Uma coleção inspirada em um aspecto quase “kitch” da nossa arquitetura? Já quero!

Cores e estampas urbanas, sem fibra natural, sem sementes tingidas. Design de qualidade.

Pois bem, a coleção não decepciona mesmo. São camisas, vestidos, bermudas, saias. Peças com estampas geométricas e cores lavadas, ambas referências aos azulejos usados no detalhe arquitetônico facilmente encontrado em uma volta pelos bairros do Guamá, Pedreira ou Jurunas, por exemplo. As informações sobre a criação você pode ver aqui.

 

Equipe Ná Figueredo

O que eu quero pontuar, mesmo, é a importância desse trabalho na afirmação de uma identidade do design paraense. Ela prova que não é preciso aplicar sementes ou fibras naturais para ser regional. Não é preciso ter cheiro de patchouli pra ter a cara de Belém. E eu não estou diminuindo o valor cultural das nossas referências artesanais, veja bem. Estou apenas reforçando que podemos ganhar o mundo com um design universal e regional ao mesmo tempo. Porque esse é o trabalho do design, e um trabalho imprescindível a ser realizado no Pará, e na Amazônia como um todo. Buscar as raízes da nossa cultura, referenciá-las no produto de forma refinada, trabalhada, permitindo sua aceitação em qualquer lugar do planeta, mesmo a de quem não tenha experiência ou identidade com essa cultura.

Equipe de criação Ná Figueredo, vocês estão de parabéns!





Dica de leitura

15 09 2010

Estive organizando os livros da minha estante, e revi alguns dos quais nem me lembrava o quanto são bons. Resolvi trazer pra cá como indicação de leitura, e aproveitar pra avisar que estou trocando alguns deles lá no Skoob, viu?

Meu exemplar, bem manuseado e com marcações discretas, a lápis e caneta vermelha...

O primeiro da minha lista é o Discursos da Moda: semiótica, design e o corpo, de Kathia Castilho e Marcelo M. Martins. Comprei o livro quando estava fazendo meu primeiro TCC [sim: uma graduação, sete anos, dois TCCs.], do qual sairia uma coleção de camisetas inspiradas em… bem, essa eu vou guardar, quem sabe um dia eu faço. O importante é saber que eu precisava de leituras sobre moda, e sobre semiótica, e sobre design; e eis que encontro um livro que fala sobre tudo isso misturado!

Kathia e Marcelo discorrem sobre diversos aspectos do processo de significação na moda, desde tecnologias empregadas até a construção do corpo do indivíduo, passando obviamente pela cultura e sua influência na linguagem do vestuário. Não se engane com a “finura” do livro, a leitura é fluida, porém consistente. Vale a pena marcar uns trechos para reler.

Aí vai o índice do livro:

1. A comunicação da moda por meio do design

1.1. As novas tecnologias e a linguagem da moda

1.2. Um breve retomar histórico

1.3. Design de moda: criadores e criaturas

1.4. O corpo potencializado

2. Linguagens e comunicação humana: traços da cultura

2.1. Verbal, visual e outras manifestações textuais

2.2. A noção de texto e a semiótica gerativa

2.3. Semiótica e moda

2.4. A metáfora da investigação e o percurso gerativo do sentido

2.4.1. Nível fundamental

2.4.2. Nível Narrativo

2.4.3. Nível discursivo

2.5. Intertextualidade e análise do plano da expressão

2.5.1. O plano da expressão

3. Corpos significantes e marcas da contemporaneidade

3.1. O corpo pela imagem refletida: como nos vemos e como nos vêem?

3.2. Corpo anatômico/biológico e corpo simbólico/semântico

3.3. A relação estratégica do fazer/ver

3.4. A estrutura do corpo: pele e plástica





Lições da cultura livre do mundo da moda

22 06 2010

Aproveitando o embalo do Mercado de Moda da Caixa de Criadores, vou falar sobre as vantagens do não estabelecimento de direitos autorais na indústria da moda.

Detalhe de um dos estandes do Mercado da Moda - Caixa de Criadores

Vi esse link no twitter [infelizmente não recordo quem postou], é o vídeo da apresentação da Johanna Blakley no TED – Ideas Worth Spreading. A sigla TED vem da união de três “mundos”: tecnologia, entretenimento e design. Ideas worth spreading pode ser traduzido como vale a pena espalhar idéias. Então, há palestras de pessoas de diversos lugares do mundo, sobre diversos assuntos relacionados a esses três tópicos. Felizmente o vídeo em inglês já tem legendas disponíveis em português, assistam que vale a pena!

Basicamente, ela fala sobre a questão do direito autoral e plágio no universo da moda, e de como o fato de que apenas as marcas estão protegidas faz com que a dinâmica da indústria fashion seja bem diferente das outras. Ao invés de enfraquecer os criadores, fortalece. E isso é bem peculiar da moda mesmo.

Tirem um tempinho, assistam com calma e depois voltem aqui pra me dizer o que acharam!





Moda morena com orgulho!

8 06 2010

A moda paraense está crescendo e aparecendo, e muito disso se deve ao pessoal do Caixa de Criadores, que batalha e corre atrás de desenvolver e divulgar a produção de moda local. É o tipo de coisa que me deixa orgulhosa e feliz, saber que a prata da casa não faz milagre nenhum, apenas trabalha duro para fazer produtos de qualidade, inclusive para padrões de fora da cidade morena.

Esta semana está acontecendo a 9ª edição do Mercado de Moda Caixa de Criadores, e a coleção de verão vem com o tema Brasileiríssimo, muito bem explorado pelas 41 marcas locais participantes do evento.

O Ponto Zero estará lá hoje para fazer a cobertura do evento, e se você já está com cuíra de tanta curiosidade, já tem fotos dos desfiles de ontem no ideias vestíveis!

Para acompanhar as informações do evento direto do twitter, @caixadcriadores!








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