Toquinho e MPB4 em Belém? EU FUI!

15 11 2010

Imaginem uma pessoa que passou a infância ouvindo as músicas infantis de Toquinho e Vinícius, e quando cresceu mais um pouco conheceu as belas vozes do MPB4. Agora imaginem essa pessoa sabendo que haveria um show de Toquinho COM MPB4 na sua cidade.

Eis os resultados:

Ainda não acreditando que estava ouvindo-os ao vivo...

 

Essa entra nos top 10 retratos da minha vida.

 

Os dois mais próximos da minha mesa...

A experiência foi inebriante. Vozes que embalaram minha vida, música de alta qualidade, público acompanhando TODAS as músicas e um intenso pedido de bis, prontamente atendido pelos queridos donos do palco. Agora ficamos na torcida pra @mangaproducoes trazer o Chico Buarque também @azevedothiago81!

Se quiser mais fotos, tem ali no flickr.





Semiótica e tradução e poesia

22 07 2010

Há alguns anos atrás me encantei com Zeca Baleiro, paradoxalmente após me mudar de São Luís. Sua voz, seu estilo, e principalmente suas letras. Uma música, particularmente, me faz engasgar sempre que a ouço. E eis que, um belo dia, descubro que é a musicalização de um poema traduzido. Ei-lo:

.

somewhere i have never travelled, gladly beyond

any experience, your eyes have their silence:

in your most frail gesture are things which enclose me,

or which i cannot touch because they are too near

.

your slightest look will easily unclose me

though i have closed myself as fingers,

you open always petal by petal myself as Spring opens

(touching skilfully, mysteriously) her first rose

.

or if your wish be to close me, i and

my life will shut very beautifully ,suddenly,

as when the heart of this flower imagines

the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals

the power of your intense fragility: whose texture

compels me with the color of its countries,

rendering death and forever with each breathing

.

(i do not know what it is about you that closes

and opens; only something in me understands

the voice of your eyes is deeper than all roses)

nobody, not even the rain, has such small hands

(e.e. cummings)

Bem, Augusto de Campos fez um excelente trabalho e traduziu o poema, e o queridíssimo Zeca Baleiro coroou o trabalho com um arranjo belíssimo, transformando os versos em uma música tocante e delicada. Se ainda não conhece, clique no nome dele aí em cima, entre no site oficial, clique na palavra jukebox (no topo central do site), e em seguida clique no terceiro quadradinho. Pegue uma caixa de lenços e ouça a música 7. Depois volte aqui pra gente continuar a conversa.

Já voltou? Linda, não? Pois é. Quem  já aprendeu uma segunda língua, e principalmente, quem trabalha com tradução, sabe o quanto é um processo delicado. Traduzir não é um mero caso de pegar as palavras e trocar por seus correspondentes diretos em outro idioma. Existe uma sintaxe na construção das idéias e das frases, e ela muda de acordo com a cultura de um povo, muda de país para país, muda de idioma para idioma. Isso sem contar os casos de palavras sem equivalentes diretos!

Imaginem agora traduzir um poema. Sim, porque para traduzir bem um texto em prosa, basta que o sentido continue equivalente. Mas na poesia é preciso muito mais, é preciso manter a métrica, as rimas, os jogos de palavras e significados. E é por isso que digo, Augusto de Campos fez um trabalho incrível. Quem souber inglês, me corrija se eu estiver errada.

Mas tia Tereza, o que a semiótica tem a ver com isso? Bem, a semiótica é um mapa mental que nos ajuda a compreender como funcionam os signos, certo? Palavras são signos, certo? Então, você não acha que o trabalho de traduzir poesia fica muito mais consistente quando você entende, ainda que intuitivamente, a importância que tem o uso do signo correto para representar algo? Você não acha que é preciso saber escolher, entre sinônimos, a palavra ou expressão que melhor traduz aquilo que o autor queria representar?

E na hora de transmitir esses mesmos sentimentos em outro tipo de signo: o som? Saber refletir nos tons certos a delicadeza ou a força das palavras não é tarefa simples. Nunca estudei música nem tenho talento  ou conhecimento profundo na área, mas aprecio muito ouvir, e posso garantir que já ouvi interpretações que não me soaram adequadas… Letras de alegria cantadas em timbres dramáticos, definitivamente soa errado. Nesse sentido, na minha humilde opinião, Zeca também foi genial. Cada mínimo som de sua música reflete o amor delicado e intenso impresso nas palavras de E.E. Cummings, não é?





Pena Branca & Xavantinho, sertanejo de verdade.

9 02 2010

Soube hoje do falecimento de José Ramiro Sobrinho, o Pena Branca, aos 70 anos, de infarto fulminante.

Grande músico.

Pena Branca & Xavantinho eram violeiros. Sertanejos caboclos. Talento na ponta dos dedos, dedilhando e encantando o coração de quem aprecia o som da viola. Eu, filha de mineiro do triângulo, cresci ouvindo moda de viola e folia de reis. E aprendi desde cedo a gostar do sertanejo. Por isso me dói o coração ouvir falar em “sertanejo universitário”, essa música quase clonada do country americano, misturada com forró e apelo pop, que insistem em chamar de sertanejo.

Folia de Reis, cultura muito sertaneja!

Sertanejo é Sérgio Reis e seu menino esperando na porteira, é a saudade que corta como aço de navaia o coração do caboclo, é Chitãozinho e Xororó se despedirem de Paulistinha e voltarem pro sertão querido, é Renato Teixeira que não se importa com seu preconceito. Sertanejo é juntar os moço da famía, calçá as butina e dançá uma catira no soalho de madeira em noite de luar.

Pena Branca, deixarás saudade no peito de cada alma sertaneja.








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