Isso mesmo, caros leitores. [tem alguém aí, mesmo?].
Vou retomar os post regulares do blog com uma pesquisa recorrente nos termos de busca que caem aqui: interpretante imediato segundo Peirce. Então, sem mais delongas, vamos ao que diz o mestre!
Fuçando neste livro, encontrei um trecho assim:
“Um Signo, ou Representâmen, é um Primeiro que se coloca numa relação triádica genuina tal com um Segundo, denominado seu Objeto, que é capaz de determinar um Terceiro, denominado seu Interpretante, que assuma a mesma relação triádica com seu Objeto na qual ele próprio está em relação com o mesmo Objeto.”
Sacaram? NÃO?? Então vamos mastigar isso aí direitinho até todo mundo entender. E qual a melhor forma que a gente já encontrou para entender conceitos abstratos? Exemplos. Claro que nem sempre os exemplos refletem a idéia exata na sua abstração, mas ainda é um recurso válido para uma primeira compreensão de certos conceitos. Particularmente na semiótica, tão abstrata…
Vamos lá: o signo pode ser… hum, deixa eu ver… uma foto [!!!] de uma lata de refrigerante. Como a fotografia abaixo:
Eis o signo: a fotografia digital. Essa imagem mesma que você está vendo aí. Ele se coloca “em uma relação triádica genuína” com seu objeto [as latas que foram fotografadas] porque ele o representa, e além de o representar, gera um outro elemento na sua cabecinha quando você vê a imagem. Esse outro elemento é o interpretante. Viu só, estamos chegando lá!
Para detalhar melhor a definição de interpretante, eu prefiro recorrer à Santaella, que é DIVA na arte de decifrar o que o Peirce queria dizer.
Primeiro, Santaella esclarece aqui que o signo tem dois objetos e três interpretantes.
O objeto imediato é o que está dentro do próprio signo, ou a aparência com a qual o signo faz referência ao seu objeto. No caso da foto acima, a imagem das latas “dentro” da fotografia. O objeto dinâmico são as latas, as duas especificamente que eu fotografei.
Daí então temos os interpretantes: o imediato, o dinâmico e o interpretante em si. O interpretante imediato “consiste naquilo que o signo está apto a produzir numa mente interpretadora qualquer”, segundo Santaella. Ora, então o que poderia ser o interpretante imediato na foto acima? Talvez a idéia da lata de bebida, já que o Guaraná Jesus, especificamente, não é conhecido de todos. [aliás, por isso mesmo escolhi essa imagem].
Já o interpretante dinâmico vai ser o que o signo efetivamente gerar na minha mente, ou na sua, ou na de qualquer que seja o observador da imagem. Na minha, especificamente, vai gerar a saudade de um refrigerante de cor espetacular, e sabor extremamente doce. Eu posso me lembrar do tempo em que tomava Guaraná Jesus na garrafa de vidro, na praia, comendo camarão. Mas conheço pessoas que vão pensar no pior remédio que já tomaram. Pessoas que não gostam do refrigerante citado.
Por fim, o interpretante em si consiste no modo como “qualquer mente reagiria” ao signo. Aqui, eu arriscaria dizer que o interpretante em si pode ser a idéia da lata de refrigerante, pura e simplesmente, sem juízo de sabor, digo, valor.
E então, deu pra entender agora?











