Marabá não é uma cidade grande, mas é espalhada. Espalhada e dividida: Marabá Pioneira [ou Velha Marabá], Cidade Nova e Nova Marabá, frutos das cheias do Tocantins e da indústria da indenização. Coisas da política e do maldito jeitinho brasileiro.
A chegada pelo aeroporto é o primeiro indício do tamanho da cidade: descendo da aeronave pelas escadas. O guarda-volumes do aeroporto fora de funcionamento por falta de cadeado reforça a sensação de que Marabá ainda não demanda os serviços da cidade grande. A lanchonete do aeroporto [isso mesmo, a lanchonete] leva jeito, o pão de queijo vem de uma franquia nacional, e eu vi algumas bebidas de chocolate bem pretensiosas sendo servidas na mesa vizinha.
Porém, um olhar mais atento [dizem que é do signo de virgem, esse maldito olhar que critica tudo] percebe a falta de desenvoltura no atendimento, e aquela postura corporal típica do interior, nada formal. A receptividade e a gentileza, no entanto, ainda nos fazem deixar passar a ineficiência dos serviços prestados.
A gentileza ainda se fez notar quando perdemos o “ponto de parada” para descer perto da orla da Marabá Pioneira. O cobrador disse para irmos até o ponto final, onde ele nos colocaria em outro ônibus para voltarmos, sem precisar pagar outra passagem. Todos os funcionários da empresa que nos conduziram foram gentis e prestativos. Nota dez.

Foto tradicional em viagens. Essa era a escada que nos conduzia ao bar flutuante da orla de Marabá.
Como era de se esperar às oito e meia da manhã, nenhum restaurante estava aberto. Nem a sorveteria que vende sorvetes da Cairu. Conseguimos sentar em um bar flutuante, onde fomos lentamente atendidas, mas com boa vontade. Como eu disse anteriormente, a impressão é que falta apenas um bom treinamento profissional, que torne o atendimento menos amador. Ponto para Marabá, bem melhor do que destinos turísticos fortes onde já estive e quase apanhei de garçons.

Antes da batalha naval, houve tentativa de leitura. Mas o marasmo convidava ao sono...
Para passar a manhã quente e sonolenta, batalha naval.
Na procura por um hotel nas proximidades, muita informação desencontrada e decepção com as condições do lugar. Decidindo ficar no hotel que eu havia encontrado pela internet antes da viagem, é hora de almoçar, pegar um ônibus até onde as bagagens estavam, e um táxi até o hotel, que ficava próximo ao aeroporto. Sim: Marabá Pioneira para Nova Marabá, Nova Marabá para Cidade Nova.
Daí em diante, as coisas melhoram. O hotel é confortável por um preço bom, e felizmente tem conexão wireless, apesar de lenta. Aliás, foi de lá que não consegui subir esse post, não dava para adicionar imagens por nada nesse mundo.
O jantar foi novamente na orla, agora movimentada e bem semelhante à de Icoaraci, em Belém. O meu pedido não estava suficientemente gostoso, e mais uma vez a cordialidade do atendimento salva a reputação do local. Neste momento estou em um sério dilema: produto satisfatório com serviço grosseiro, ou produto meia-boca com atendimento gentil? Preciso de mais algumas viagens para me decidir.

Detalhe da orla do rio Tocantins, em Marabá Pioneira
PS: Essa postagem corresponde ao dia 11 de março. Os relatórios de viagem sairão atrasados por falta de conexão com a internet. Até ontem, e provavelmente a partir de quinta-feira, dia 18.
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