Sobre o Silêncio.

Ilha de Cotijuba

Marcelo Tas mencionou uma coisa interessante no Irritando Fernanda Young. A gente hoje não consegue mais ficar no silêncio. Sério. Eu já pensei nisso diversas vezes, na posição de sofredora de enxaqueca desde a pré-adolescência.

Eu confesso, adoro o silêncio. Amo a quietude que reina na minha casa durante a tarde, quando minha mãe não está em casa. É, minha mãe odeia silêncio. E é aqui que eu queria chegar. Na bendita experiência colateral.

Intrigada com o fato de que minha mãe sempre reclamou do silêncio, sempre deixou ao menos a TV ligada pra manter algum ruído, um dia perguntei a ela o porque desse incômodo. De início ela não soube explicar, mas aparentemente concluiu, para minha surpresa, que o silêncio a remetia a um dos dias mais tristes da sua vida: a morte da minha vó, Maria Theresa. Era como se ela vivenciasse novamente aquele dia cinza, quando voltaram do enterro, e ninguém falava nada, a TV não foi ligada, e o silêncio imperava.

Incrível. Como nossa mente é capaz de associar elementos de uma forma tão intensa que nos faça lembrar de um cada vez que tem contato com o outro. E mais incrível ainda, como os interpretantes gerados em nossas mentes se diferenciam de acordo com a experiência colateral. O mesmo silêncio que me deixa tão bem faz minha mãe ficar aflita e apreensiva.

Eu nunca tive essa experiência negativa com o silêncio. E eu simplesmente não costumo curtir esse momento em casa, por causa dela.

Partindo dessas experiências cotidianas, eu acredito cada vez mais que a experiência colateral é fundamental na forma como vamos interpretar os signos que nos rodeiam a todo momento. E isso também traz implicações para quem lida com comunicação no seu dia-a-dia.

Minha monografia envolve o uso de fotografias da cidade de Belém. Considerando os fins comerciais, devo escolher elementos da cidade que tenham considerável força de significação perante meu potencial público consumidor. Porém, meu público ideal envolve “nativos” e turistas. Ou seja, não posso escolher elementos muito desconhecidos dos turistas, e nem muito batidos para os consumidores locais. E eu acho isso fantástico…

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