Repensar o óbvio

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Pode parecer que a vida profissional do designer é um sonho: tem que nascer criativo e cheio de talento pra ganhar a vida criando coisas novas, né? O cara recebe uma ligação do dono daquela fábrica multinacional de eletrodomésticos pedindo que ele crie mais um equipamento pra cozinha, e ele desenvolve um cortar-lavar-picar-descascar-descaroçar-misturar-arrancar o dedo-fatiar, de preferência com função auto-limpante. Vai nessa…

Eu resumo o trabalho do designer com o que já se tornou quase um dito popular: 90% transpiração, 10% inspiração. Isso mesmo. Designer não passa o dia anotando idéias geniais no seu bloquinho de papel reciclado. É claro que o fluxo de trabalho muda de acordo com a área de atuação, mas em geral é mais ou menos assim: definição do problema, projeto informacional para aprender tudo e mais um pouco sobre o problema, levantamento de possíveis soluções, escolha do caminho a seguir de acordo com restrições e necessidades do projeto, protótipo e produto final. Exatamente. Só depois de muito pesquisar materiais, técnicas produtivas, mão-de-obra disponível, e uma série de outras coisas é que o designer começa a pensar em desenhar algo.

Portanto, criatividade é o resultado de muito conhecimento adquirido, e de um trabalho árduo para juntar as pecinhas que estão na sua mente de uma forma que resolva seu problema.

Eu fico imaginando, então, que caminhos o cara que criou essa estante percorreu antes de chegar nisso.

Genial?

Uma estante de livros que já vem com um aparador embutido e ajustável. Prático, simples, inovador. O tipo de idéia que faz qualquer designer se odiar por não ter pensado nisso antes.

Esse é um exemplo clássico de outra frase que já está se tornando lugar-comum no meio criativo: pense fora da caixa. O que nada mais é do que um resumo do que disse George Kneller, filósofo e professor: “Criatividade consiste no total rearranjo do que sabemos com o objetivo de descobrir o que não sabemos.” Unir a estante e o aparador em um produto integrado é um rearranjo de dois objetos do nosso cotidiano que, aparentemente, não apresentavam mais possibilidade de renovação. Criatividade com C grandão!

Só nos resta imaginar se foi resultado de uma longa pesquisa para um projeto determinado, ou se realmente surgiu de uma necessidade ocasional do criador da estante!

(Vi a estante aqui)

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