Flederhaus: o local perfeito pra sesta!

Esse projeto concebido pelo escritório de arquitetura Heri&Salli fica na Áustria, mas bem que poderia ter sido criado aqui nas bandas amazônicas do planeta… Afinal, quem vive neste calorão de floresta tropical sabe a necessidade de um cochilo maroto após a refeição do meio-dia, antes do retorno à labuta vespertina.

Espaço público projetado para redes

Imaginem um espaço público como esse em Belém, que maravilha!

Talvez nem precisasse ser um espaço público (e eu não sei se a Flederhaus é pública), já que é costume do brasileiro desprezar iniciativas gratuitas e tratar logo de depredar ambientes assim. Mas se uma empresa privada construísse algo do tipo, com a localização correta e uma boa gestão, o serviço faria sucesso.

Vista interna da Flederhaus

Nada mal, uma sonequinha com vista para a Baía do Guajará, com todo aquele vento gostoso refrescando a tarde.

O “Recanto da morrinha” (gostaram do nome? hehe) poderia contar com as opções de compartimentos climatizados (para quem já nasceu na menopausa, como eu, e não se refresca só com a brisa da tarde) ou simplesmente o janelão aberto, mais natural. Imagino que um quiosque de sorvetes da Cairu também não seria má ideia. Ou quem sabe um daqueles benditos frozen yogurts, para quem prefere uma alternativa mais saudável na merenda.

E na sua cidade, rola construir uma casinha para pendurar redes?

 

Coleção Raio-que-o-Parta 2011: Belém sem cheiro de patchouli

No último sábado (19/02), fui fazer a cobertura fotográfica do lançamento da coleção Raio-que-o-Parta 2011, de Ná Figueredo, pelo Ponto Zero. O release enviado para que a gente publicasse no site já era tentador para qualquer papa-chibé apaixonado por design. Uma coleção inspirada em um aspecto quase “kitch” da nossa arquitetura? Já quero!

Cores e estampas urbanas, sem fibra natural, sem sementes tingidas. Design de qualidade.

Pois bem, a coleção não decepciona mesmo. São camisas, vestidos, bermudas, saias. Peças com estampas geométricas e cores lavadas, ambas referências aos azulejos usados no detalhe arquitetônico facilmente encontrado em uma volta pelos bairros do Guamá, Pedreira ou Jurunas, por exemplo. As informações sobre a criação você pode ver aqui.

 

Equipe Ná Figueredo

O que eu quero pontuar, mesmo, é a importância desse trabalho na afirmação de uma identidade do design paraense. Ela prova que não é preciso aplicar sementes ou fibras naturais para ser regional. Não é preciso ter cheiro de patchouli pra ter a cara de Belém. E eu não estou diminuindo o valor cultural das nossas referências artesanais, veja bem. Estou apenas reforçando que podemos ganhar o mundo com um design universal e regional ao mesmo tempo. Porque esse é o trabalho do design, e um trabalho imprescindível a ser realizado no Pará, e na Amazônia como um todo. Buscar as raízes da nossa cultura, referenciá-las no produto de forma refinada, trabalhada, permitindo sua aceitação em qualquer lugar do planeta, mesmo a de quem não tenha experiência ou identidade com essa cultura.

Equipe de criação Ná Figueredo, vocês estão de parabéns!