O que a Mona Lisa pode te ensinar sobre belos retratos

Mas peraí, tia Tereza, o que tem a ver a pintura com a fotografia? Bem, se você não é capaz de ver a ligação, meu caro leitor, abra seus olhos agora mesmo.

Inspirada por um post do Digital Photography School, vou fazer uma tradução livre dos itens abordados lá no original, e na segunda parte do tema, colocado em um próximo post, vou falar sobre a importância do alfabetismo visual para quem trabalha em qualquer vertente da comunicação.

O texto fala sobre composição, pose, fundo, luz, figurino, enquadramento, e é claro, o mistério que envolve a retratada mais famosa do mundo.

COMPOSIÇÃO

Hoje olhamos para a Mona Lisa e vimos uma composição simples, comum. Porém, na época em que foi executada, a obra de Da Vinci apresentou aspectos bastante inovadores, estabelecendo novos parâmetros para a pintura durante séculos desde então. Um dos elementos de composição reconhecidos no retrato de Da Vinci é a composição piramidal, que mostra o seu objeto com uma base mais ampla, formada pelos braços e mãos; e tudo o mais está arranjado de forma a conduzir o olhar do observador aos olhos e ao famoso sorriso da modelo.

Facilitando a percepção da composição piramidal =)

POSE

Mais um elemento que hoje nos parece desgastado, mas que foi revolucionário à sua época. Ao invés da postura rígida e comumente de perfil dos retratados em pinturas até o momento, a Mona Lisa se apresenta relaxada, apoiada de forma descontraída em uma cadeira, olhando de frente para o observador. Também era incomum para o período retratar o objeto no que conhecemos hoje por “três quartos”, geralmente eram feitos retratos de corpo inteiro. Sua decisão preenche o quadro com um assunto íntimo, e deixa pouco espaço para distrações. Os olhos da modelo posicionados à altura dos olhos do observador proporcionam uma sensação de intimidade com o retrato.

FUNDO

Muito já se escreveu sobre o fundo da paisagem em Mona Lisa, mas é importante ressaltar que, enquanto geralmente o objeto e o fundo das pinturas se apresentavam igualmente nítidas e cheias de informação, a paisagem ao fundo da modelo aparece embaçada, como se estivesse fora de foco. Isso era incomum até então, mas é um recurso largamente utilizado por fotógrafos para destacar o assunto de suas fotografias. Utiliza-se uma grande abertura do diafragma para manter o objeto principal em foco e destacá-lo da paisagem.

LUZ

Leonardo utiliza a luz para chamar a atenção do espectador para as partes da imagem que ele deseja destacar (face e mãos), e equilibra muito bem a imagem, colocando as mãos e o rosto em posições opostas. Ele também usa sombra (ou a falta de luz) para adicionar profundidade e dimensão para diferentes aspectos da imagem – particularmente a área ao redor do pescoço da Mona Lisa e nas ondulações sobre o vestido em seu braço.

FIGURINO

Mais uma vez quebrando os padrões da época, Da Vinci escolhe roupas escuras e menos chamativas para sua modelo, com detalhes discretos contribuindo para o maior destaque do seu rosto. Não há também nenhum tipo de jóia ou bijuteria para distrair o olhar, demonstrando que o pintor queria que todo o brilho do quadro viesse da própria Mona Lisa.

ENQUADRAMENTO

Se prestarmos bem atenção, podemos notar duas formas arredondadas nas laterais do quadro, próximas aos ombros de Mona Lisa. Acredita-se que a versão que conhecemos hoje do retrato esteja um pouco menor, e que uma parte das bordas tenha se perdido em uma das vezes que ele foi emoldurado. A teoria mais aceita é que, na versão original e integral da pintura, duas colunas estendiam-se de cada lado da Mona Lisa. De fato, ela está realmente sentada em uma varanda com vista para a paisagem atrás dela. Podemos ver a borda horizontal do balcão que se estende entre as duas colunas.

MISTÉRIO

Até hoje pergunta-se quem seria a Mona Lisa, e as teorias apontam desde a esposa do cliente que havia encomendado o quadro até o próprio Da Vinci travestido de mulher. O mistério está na sua própria imagem, no seu olhar reticente, seu sorriso quase imperceptível, e até mesmo a técnica de borrar os contornos usada por Leonardo conspiram para criar uma atmosfera de curiosidade ao redor de sua obra. Deixar elementos da imagem abertos à interpretação do observador aguçam sua imaginação e o impacto da obra sobre ele.

E agora, o que fazer com todas essas informações? Ora, meus queridos, vocês tem duas tarefas a cumprir: estudar mais sobre história da arte, especialmente pinturas; e sair fotografando para colocar em prática as técnicas usadas pelos grandes pintores!

No próximo post, vamos falar sobre teorias, conceitos, e claro, bibliografias para toda essa pesquisa.

Dicas de Fotografia I

Mais uma categoria a ser apresentada aqui no blog. Vou trazer algumas dicas para fotógrafos amadores, nada complicado, nada relacionado com equipamentos profissionais. Apenas dicas pra você fazer as fotos do aniversário do seu sobrinho ficarem bem legais!

Vou começar com uma situação bem cotidiana: eu fazendo a vez de manicure pro vira-lata. Tá, não é tão cotidiano… Mas a mamãe aparecer com uma câmera na mão pra [me expor ao ridículo] registrar esse momento de ternura entre eu e meu peludinho, isso é beeem cotidiano.

Vamos à primeira foto.

Foto 1

Ok. Foi feito o registro da cena, está tudo certinho, né? Não. A foto está sem graça, as cores estão esquisitas por causa do flash [parece até que é noite!], a posição da câmera não favorece nem a mim, nem ao cachorro.

Agora, com um pouco mais de cuidado ao fazer a foto, eis o resultado:

Foto 2

Viu só? Não ficou bem mais interessante? Vamos aos detalhes.

1. Enquadramento. Na primeira foto, a minha queridíssima mãe simplesmente se aproximou, apontou a câmera e clicou. É o que a gente costuma fazer, quando não se preocupa muito com o resultado da foto e só se interessa pelo registro do momento.

Veja bem, não estou recriminando, até porque muitas vezes nem dá tempo de se preparar pra fotografar um momento. Costuma ser assim quando a gente dá aquele flagrante do filho brincando com o tubo de talco…

Flagrante do Talco

Mas voltando ao assunto: como essa era uma situação que se estenderia por pelo menos dez minutos [não fazem idéia de como é difícil lixar a unha de um vira-lata], dava tempo de se preparar melhor.

O que eu disse pra ela: venha pra cá pro meu lado, onde a luz está melhor posicionada, e se abaixe até ficar no mesmo nível que eu. Procure enquadrar a cara do cachorro e a minha mão segurando a pata dele, mostrando o assunto principal da foto. Nem precisa sair meu rosto [essa ela ignorou…].

Observem mais uma vez a segunda foto:

Ainda foram enquadrados elementos que não precisavam aparecer [como a Lídia passando lá atrás], mas ainda assim está bem melhor que a primeira, não acham? Um dos principais objetivos da foto era mostrar a tortura do cachorro, e nessa segunda composição ele aparece claramente, com seu olhar sofrido.

Outro detalhe importante foi o flash, que eu recomendei que ela desabilitasse. A sala estava bem iluminada, a luz da janela e da porta incidiam exatamente à minha esquerda e um pouco à frente, dando condições de fotografar sem flash. [Em um outro momento vou falar sobre o uso do flash, ele não é só vilão nessa história!]

Resumindo: mesmo que você não seja fotógrafo profissional e sua câmera seja uma compacta sem muitos recursos ajustáveis, suas fotos podem ficar mais interessantes com alguns cuidados na hora de fotografar! O enquadramento do assunto é um dos recursos que podem transformar a fotografia lugar-comum em uma imagem criativa e visualmente agradável.

Futuramente, mais dicas facinhas pra fazer fotos legais!