Primeiro, Segundo, Terceiro.

Faz tempo que estou devendo uma postagem continuando a falar sobre a semiótica de Peirce. Portanto, aí vai!

Pra começo de conversa, digo logo que vou fazer muito uso da semiótica aplicando-a em signos existentes [ou seja, vou tentar sair um pouco da abstração e trazer as categorias para elementos cotidianos, como fotografias e produtos]. Titia Santaella [farei um post sobre ela também] diz que o objetivo de Peirce era a mais pura abstração, mas que mesmo assim a gente pode usar sua lógica para tentar entender os signos [verbais e não-verbais], já que eles estão cada vez mais presentes em nossas vidas.

O PRIMEIRO

Jujubas

Tá vendo a foto aí em cima? O que você vê? Ou melhor, o que você sente primeiro? É difícil para nós definir claramente qual a imediata sensação causada na mente pela visão de um fenômeno.

Estudando fenomenologia, Peirce considerou como experiência tudo o que aparece à mente do indivíduo; seja real ou imaginário, seja uma imagem ou um som, seja o que for. No caso da foto acima, é bem provável que a primeiridade [impressão imediata ao se deparar com uma experiência] esteja relacionada com suas cores e texturas. Porque a primeiridade é isso, é apenas sensação, nada de definição ou de análise. É pura e simples sensação.

O SEGUNDO

Quase que imediatamente ao momento da aparição da experiência na mente do indivíduo, já estamos na secundidade. Observe novamente a foto. Pronto! É uma foto. Você definiu que aquela imagem é uma fotografia, certo? Então. A secundidade ocorre no momento em que a mente se dá conta da experiência em si; é a reação da mente à experiência. No caso, sua mente se dá conta de que aquilo é uma fotografia [a comparação fica bem mais fácil se você imaginar que está com o papel fotográfico nas mãos, ou seja, um objeto palpável].

O TERCEIRO

Veja mais uma vez a foto:

Jujubas Semióticas

Agora sim, chegamos à terceiridade, o momento no qual a mente mais se prolonga. Aqui, a nossa mente já analisou a experiência, e já está tirando conclusões sobre ela. Ou seja, você já sabe que as fotos mostram deliciosas e açucaradas jujubas coloridas. A partir de agora, o processo pode prosseguir infinitamente, com sua cabecinha buscando mais e mais referências acerca das jujubas [no meu caso, todas positivas!]. A terceiridade pode ser definida então como síntese intelectual do primeiro e do segundo, é a tradução de um pensamento em outro.

Mas, para que isso possa acontecer e para que a foto das jujubas possa representar uma bela porção de jujubas, é imprescindível que você [ou quem quer que veja a foto] saiba o que são jujubas. E aqui, senhoras e senhores, chegamos à experiência colateral. Mas essas são cenas para o próximo capítulo. Digo, post.

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