Coleção Raio-que-o-Parta 2011: Belém sem cheiro de patchouli

No último sábado (19/02), fui fazer a cobertura fotográfica do lançamento da coleção Raio-que-o-Parta 2011, de Ná Figueredo, pelo Ponto Zero. O release enviado para que a gente publicasse no site já era tentador para qualquer papa-chibé apaixonado por design. Uma coleção inspirada em um aspecto quase “kitch” da nossa arquitetura? Já quero!

Cores e estampas urbanas, sem fibra natural, sem sementes tingidas. Design de qualidade.

Pois bem, a coleção não decepciona mesmo. São camisas, vestidos, bermudas, saias. Peças com estampas geométricas e cores lavadas, ambas referências aos azulejos usados no detalhe arquitetônico facilmente encontrado em uma volta pelos bairros do Guamá, Pedreira ou Jurunas, por exemplo. As informações sobre a criação você pode ver aqui.

 

Equipe Ná Figueredo

O que eu quero pontuar, mesmo, é a importância desse trabalho na afirmação de uma identidade do design paraense. Ela prova que não é preciso aplicar sementes ou fibras naturais para ser regional. Não é preciso ter cheiro de patchouli pra ter a cara de Belém. E eu não estou diminuindo o valor cultural das nossas referências artesanais, veja bem. Estou apenas reforçando que podemos ganhar o mundo com um design universal e regional ao mesmo tempo. Porque esse é o trabalho do design, e um trabalho imprescindível a ser realizado no Pará, e na Amazônia como um todo. Buscar as raízes da nossa cultura, referenciá-las no produto de forma refinada, trabalhada, permitindo sua aceitação em qualquer lugar do planeta, mesmo a de quem não tenha experiência ou identidade com essa cultura.

Equipe de criação Ná Figueredo, vocês estão de parabéns!

Dica de leitura

Estive organizando os livros da minha estante, e revi alguns dos quais nem me lembrava o quanto são bons. Resolvi trazer pra cá como indicação de leitura, e aproveitar pra avisar que estou trocando alguns deles lá no Skoob, viu?

Meu exemplar, bem manuseado e com marcações discretas, a lápis e caneta vermelha...

O primeiro da minha lista é o Discursos da Moda: semiótica, design e o corpo, de Kathia Castilho e Marcelo M. Martins. Comprei o livro quando estava fazendo meu primeiro TCC [sim: uma graduação, sete anos, dois TCCs.], do qual sairia uma coleção de camisetas inspiradas em… bem, essa eu vou guardar, quem sabe um dia eu faço. O importante é saber que eu precisava de leituras sobre moda, e sobre semiótica, e sobre design; e eis que encontro um livro que fala sobre tudo isso misturado!

Kathia e Marcelo discorrem sobre diversos aspectos do processo de significação na moda, desde tecnologias empregadas até a construção do corpo do indivíduo, passando obviamente pela cultura e sua influência na linguagem do vestuário. Não se engane com a “finura” do livro, a leitura é fluida, porém consistente. Vale a pena marcar uns trechos para reler.

Aí vai o índice do livro:

1. A comunicação da moda por meio do design

1.1. As novas tecnologias e a linguagem da moda

1.2. Um breve retomar histórico

1.3. Design de moda: criadores e criaturas

1.4. O corpo potencializado

2. Linguagens e comunicação humana: traços da cultura

2.1. Verbal, visual e outras manifestações textuais

2.2. A noção de texto e a semiótica gerativa

2.3. Semiótica e moda

2.4. A metáfora da investigação e o percurso gerativo do sentido

2.4.1. Nível fundamental

2.4.2. Nível Narrativo

2.4.3. Nível discursivo

2.5. Intertextualidade e análise do plano da expressão

2.5.1. O plano da expressão

3. Corpos significantes e marcas da contemporaneidade

3.1. O corpo pela imagem refletida: como nos vemos e como nos vêem?

3.2. Corpo anatômico/biológico e corpo simbólico/semântico

3.3. A relação estratégica do fazer/ver

3.4. A estrutura do corpo: pele e plástica