Pena Branca & Xavantinho, sertanejo de verdade.

9 02 2010

Soube hoje do falecimento de José Ramiro Sobrinho, o Pena Branca, aos 70 anos, de infarto fulminante.

Grande músico.

Pena Branca & Xavantinho eram violeiros. Sertanejos caboclos. Talento na ponta dos dedos, dedilhando e encantando o coração de quem aprecia o som da viola. Eu, filha de mineiro do triângulo, cresci ouvindo moda de viola e folia de reis. E aprendi desde cedo a gostar do sertanejo. Por isso me dói o coração ouvir falar em “sertanejo universitário”, essa música quase clonada do country americano, misturada com forró e apelo pop, que insistem em chamar de sertanejo.

Folia de Reis, cultura muito sertaneja!

Sertanejo é Sérgio Reis e seu menino esperando na porteira, é a saudade que corta como aço de navaia o coração do caboclo, é Chitãozinho e Xororó se despedirem de Paulistinha e voltarem pro sertão querido, é Renato Teixeira que não se importa com seu preconceito. Sertanejo é juntar os moço da famía, calçá as butina e dançá uma catira no soalho de madeira em noite de luar.

Pena Branca, deixarás saudade no peito de cada alma sertaneja.





Tia Teiêza fazendo escola.

9 02 2010

Tereza e Fernanda, a prima mãe de duas.

T: Essa calcinha tá ao contrário?

F: É, ela inventou de colocar o bordado pra frente porque ela gosta de ver os enfeites da calcinha…

T [ rachando o bico de rir ] : Tá certo, Helena! Tem que usar do jeito que você quiser, num tem nada de errado não!

Eis a pequena padawan!

No dia seguinte…

F: Lembra do teu papo aquele dia, da calcinha?

T: aham.

F: Pois é, depois quando fui dar banho e trocar de roupa, ela disse que ia colocar o bordado pra frente, “porque a tia Tereza disse que eu posso usar do jeito que eu gostar”.

[diálogo aproximado]





Dicas de Fotografia IV

28 01 2010

Dando continuidade ao lado fotográfico do blog, achei mais um pos muito legal no Digital Photography School para trazer pra cá. Já ouviram falar no Projeto 365? Bem, tudo o que você tem que fazer é se propor a fazer uma foto por dia, durante um ano. Parece simples, não? Mas sempre tem aqueles dias em que a gente não se sente inspirado a fotografar, aqueles dias corridos quando não dá tempo nem de coçar o nariz, e aqueles dias tão preguiçosos que você só quer saber de descansar.

Pois bem, aqui vão 11 dicas para conseguir realizar o projeto. Mesmo você que não é fotógrafo profissional mas adora fotografia pode entrar no projeto, aposto que vai aprender muita coisa legal, e vai se surpreender com as fotos no final.

[Tradução livre e adaptada da autora do Interpretante Imediato]

1. Fique atento

Mantenha seus olhos abertos com uma foto em mente a todo momento do dia. Procure por momentos que, normalmente, você deixaria passar despercebidos. Treinar seu olhar e sua mente é a forma como o Projeto 365 pode ajudar você a crescer como fotógrafo. Grandes fotografias não acontecem se você nunca vê ou nunca sabe quando reagir.

2. Sempre leve sua câmera com você

Tenha a câmera sempre ao alcance durante o dia. Não tenha vergonha. Não fique com preguiça. Nem tire intervalo. A hora em que você não estiver com a câmera será o único momento em que você vai desejar não tê-la deixado para trás. Enquanto você se depara com a Lei de Murphy de tempos em tempos, a frequência diária de fotos significa mais oportunidades de encontrá-la. Com um pouco de disciplina você pode facilmente driblar a Lei. De Murphy, gente!

Levei a câmera para uma reunião. Eis que o chaveirinho do pen drive colocado no meu mac me chamou a atenção...

3. A melhor hora é agora

Nunca diga “Eu fotografo isso depois”, ou “Eu faço essa foto na volta”. Faça a foto enquanto a idéia está fresquinha em sua cabeça e a luz está certa. Momentos de inspiração quase nunca aparecem em momentos convenientes, e a luz quase nunca é exatamente a mesma em dois momentos do dia.

Essa foto só se consegue às seis da manhã, com essa luz e a falta de movimentação em plena Praça da República num dia de semana.

4. Treine seus olhos para ver a luz

Aprenda a tirar o melhor da luz, independente do dia estar ensolarado, nublado ou qualquer coisa entre os dois. Aprender como trabalhar com a luz em situações de alto e de baixo contraste luminoso é uma boa forma de ampliar suas oportunidades fotográficas. Experimente também fazer uso de outras fontes de luz além do flash da câmera para complementar a luminosidade disponível.

5. Experimente! Não fique na zona de conforto

Ouse e arrisque uma foto ruim para aprender algo novo. Fazer as mesmas fotos repetidamente porque é mais fácil fazê-las não vai melhorar sua fotografia e não vai aumentar o interesse no seu trabalho. Saia da sua zona de conforto para tentar coisas novas. Isso depende menos de comprar novos equipamentos, e mais de abrir seus olhos para novos estilos e assuntos.

6. Use temas semanais

365 fotos únicas é uma meta alcançável. Se suas idéias estão se esgotando, pense em temas semanais. Faça fotos de um lugar em particular, uma cor, retratos de família e amigos, animais de estimação, macros, letras escondidas, etc. Às vezes um número infinito de assuntos são mais facilmente vencidos quando se pensa em temas. Temas oferecem um senso de ordem e planejamento, viabilizando mais etapas e deixando você mais próximo do objetivo final.

7. Planeje e escreva suas idéias

Melhor que esperar para encontrar inspiração é planejar adiante e escrever idéias para fotos futuras em um caderno de notas. É uma excelente prática para sessões de foto regulares, e vai reforçar o pensamento criativo. Rever idéias de fotos documentadas anteriormente  vai se provar uma boa fonte para quando as idéias espontâneas são poucas e espaçadas.

8. Faça edição e pós-produção semanalmente

Para evitar acúmulos, edite e processe suas fotos semanalmente, se não puder diariamente. Estabelecer um ritmo para editar e processar as fotos é a chave para completar o seu Projeto 365. Para muitos, fazer as fotos é fácil, mas editar e processar as fotos é um desafio. Para cada foto que você publicar, você provavelmente terá várias que não servirão. Entrar no ritmo para selecionar suas fotos finais e processá-las em tempo hábil vai fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso.

9. Adicione observações às suas fotos

Quando postar fotos diariamente online, adicione notas sobre o que você acha que deu certo ou não nelas. Coloque informações gerais sobre a sessão e as configurações da câmera dos dados EXIF, você vai rever isso depois para refrescar a memória ou para ver o quanto você evoluiu. Histórias engraçadas também são informações legais de se rever. Entender como, por que e quando você fotografou seu objeto estimula um lampejo de criatividade que você não pode tirar dos dados EXIF.

E choveu na saída do passeio de barco E então vimos a cidade assim: Por detrás do plástico E da cortina de chuva.

10. Entre no ritmo e divirta-se!

Assegure-se de se divertir durante seu longo projeto. No momento em que se tornar trabalhoso, será mais difícil completar o Projeto 365. Entrar em um ritmo pode ajudar bastante a diminuir a percepção do esforço despendido para manter suas fotos em dia. Se você for dar uma volta durante o intervalo do almoço, mudar seu caminho por 10 minutos ou mesmo fazer 365 auto-retratos, saber que você vai dedicar um tempo para fazer suas fotos diminui bastante o estresse do processo. Se você faz o tipo espontâneo, defina 10 ou 20 minutos extra na sua agenda para parar e explorar com sua câmera. Como na vida, muitas vezes o caminho é mais interessante que o destino.

11. Comece hoje

Eis o melhor do Projeto 365: você pode começar QUALQUER dia do ano. Frequentemente as pessoas associam esse projeto ao ano novo, mas não há regras sobre quando começar um projeto como esse. Enquanto parece irresistível, ceda ao impulso e comece seu Projeto 365 hoje!





Criatividade não tem limites. Ainda bem!

26 01 2010

Outro dia vi no Obvious o trabalho do Mark Khaisman, que reconstrói cenas famosas do cinema com fitas adesivas sobrepostas em um vidro posicionado contra a luz.

É ou não fera?

Fiquei deslumbrada com a capacidade do cara de reproduzir de forma tão clara a figura humana, considerando as limitações do material utilizado. O jogo de claro/escuro, a forma como ele sobrepõe os pedaços de fita reproduzindo com relativa fidelidade os volumes e sombras da cena reproduzida, e mais ainda, a capacidade que temos de reconhecer uma cena familiar em um amontoado de plástico colado…

Para mim, a arte do trabalho dele está, além da utilização de um material inusitado, na capacidade de formar figuras humanas com pedaços de contornos retos… é o mesmo princípio dos pixels, que formam a imagem digital que você está vendo na tela do seu computador, mas com um resultado bem mais interessante.

Além da sobreposição, Mark Khaisman também tem outros trabalhos com fita, confira aqui.





Colação de Grau

15 01 2010

É hoje. Depois de sete anos, vou receber um anel, uma declaração [meu diploma não está pronto] e um cara vai colocar aquele capelo redondinho na minha cabeça.

Claro que meu anel não podia ser tradicional. O topo reproduz o diafragma da câmera, e a safira, a lente.

Eu nunca pensei que me sentiria assim neste momento. É certo que eu nem quero trabalhar com design, que eu não me considero designer, e que, de uns tempos pra cá a intenção do diploma seria turbinar o currículo de fotógrafa. Mas ainda assim, é uma conquista! E muito suada, considerando todos os percalços que enfrentei, as notas que sumiam, a falta de optativas que eu pudesse incluir no histórico, sem contar a infra-estrutura de um curso cuja primeira turma saiu quando eu entrei. Ainda que eu não me considere habilitada a projetar produtos, o diploma que vou receber afirma que sim. E se não for pra enfeitar o currículo de fotógrafa, ele vai servir para o mestrado e o doutorado. Sim, eu pondero a carreira acadêmica, pra alegria da Delmãe.

Eu deveria estar radiante, eu deveria ter preparado uma festa para família e amigos, já que não me formo com a minha turma; eu deveria ter preparado uma encadernação bonita, com capa dura, do meu TCC para ficar na biblioteca da universidade; eu deveria… eu não estou. Tudo o que eu quero é terminar.

E termina hoje!

Obrigada a quem participou desses sete anos, presente ou não, concordando ou não. Obrigada pela torcida, pelos conselhos, pelos ombros que me acolheram nos momentos de incertezas. E que venha o futuro!





Dicas de Fotografia III

14 01 2010

Retomando o projeto de postar com mais regularidade aqui, pretendo alternar os temas principais [semiótica e fotografia, caso não tenham notado], nos levando então a mais um texto traduzido do Digital Photography School com dicas para fazer suas fotos ficarem ainda mais interessantes!

As dicas desse texto não são exclusivas para fotógrafos profissionais, e nem exigem o uso de equipamento específico. A não ser aqueles com os quais nascemos equipados. [Tradução livre e adaptada da autora do Interpretante Imediato]

4 Técnicas para Desenvolver o Olhar Fotográfico

A maior habilidade de um fotógrafo talentoso não é a precisão com a exposição; não é precisão com todos os detalhes técnicos, ou fazer milhares de imagens por semana.

A maior habilidade que qualquer fotógrafo pode almejar é a observação.

A observação vai definir o seu trabalho. Vai dar vida e fôlego para as histórias que você captura e a beleza que você cria. A observação vai fazer a diferença entre uma foto comum e uma foto cativante; entre uma imagem que é um retrato visual, e uma que fale ao seu público nas formas mais expressivas.

Desenvolver a observação – especificamente na sua fotografia – exige esforços práticos e deliberados. Demanda tempo e esforço, e uma certa relutância por aceitar o óbvio.

Pratique com algumas das seguintes técnicas, adaptadas especificamente para fotógrafos:

1. Analise

Texturas, cores, detalhes.

Pegue um objeto inanimado e coloque em uma mesa à sua frente. Olhe para ele por cinco minutos e tome nota de tudo o que você percebe sobre ele. Se for uma maçã, perceba a forma; é redonda, é irregular, tem muitas falhas? Perceba o tamanho; é grande, pequena, média – e em comparação a que? Perceba a textura, cor, brilho e polimento. Parece velha? Por que? Parece que foi recém colhida? Por quê? Está suculenta? O que a faz suculenta? Pergunte cada questão que puder sobre seu objeto até que não possa pensar em absolutamente mais nada. Que tipo de histórias você estava criando em sua mente sobre esse objeto? Por que?

2. Esgote as perspectivas

Corujinhas, em perspectiva.

Pegue outro objeto inanimado e posicione numa janela. Pegue sua câmera, e com uma lente, faça quantas fotos com diferentes perspectivas e distâncias focais você conseguir em 15 minutos. O que você está tentando comunicar? O que faz diferentes ângulos expressarem diferentes climas ou sentimentos? Use a a luz de todas as formas possíveis. O uso de diferentes técnicas e a combinação de opções mudou a aparência geral e o sentido do que você quis comunicar? Esse exercício vai desafiar sua capacidade e fazer com que você comece a “pensar fora da caixa”, procurando por perspectivas que você nunca viu antes.

3. Avalie as locações

Luz da manhã, lá no fim da alameda.

Quando for fotografar, tire alguns minutos para avaliar o local. Pergunte-se qual locação comunica sentimentos e emoções diferentes. Então, pergunte-se por quê. Se é a luz atravessando as folhagens das árvores, criando raios de sol suaves e difusos que geram calor e drama. Se é a assimetria das flores, criando uma sensação de dinâmica artística. Não fique com nenhuma primeira impressão.

4. Faça fotos em sua mente

Aguardando a hora certa para a mão se aproximar

Os primeiros meses de dedicação à fotografia geralmente faz com que o indivíduo “veja” molduras em todo lugar – mesmo quando não está com a câmera na mão. Esse prazer e admiração pela fotografia provoca um senso de observação elevado. Se esforce para criar imagens em sua mente antes que elas aconteçam; perceba as peças de imagens ao seu redor e desenvolve sua acuidade mental para elementos visuais.

A observação vai capacitar você a combinar todos os elementos que estão à sua disposição, e arranjá-los de forma a reforçar a história que sua imagem conta.






Aniversário da Cidade Morena

12 01 2010

Banco no Forte do Presépio, Complexo Feliz Lusitânia

Sim! Hoje Belém completa 394 anos, gente! Temos o que comemorar? Talvez não… Mas apesar do desgoverno, da desprefeitura, dos buracos, da falta de saneamento, das obras feitas nas coxas, das obras de maquiagem, da falta de instrução para a população, do transporte público precário, e muitos outros pretextos pra se falar mal daqui, eu tenho orgulho de ser belenense de coração.

A praça, num raro momento de quietude. Um doce pra quem acertar onde está Wally.

Eu cheguei na cidade de mudança aos 13 anos, mas já era apaixonada pelas mangueiras e pelas praças desde quando vinha passar as férias na casa da tia. Adotei a cidade como minha, e mesmo esculhambando com todas essas precariedades, eu não deixo de defender meu lugar com unhas e dentes pra quem quer que venha falar mal da Mangueirosa.

Barco no Mangal das Garças

Então, ao invés de só reclamar de todos os males, ou fechar os olhos e dizer que a cidade é tudo de bom, vamos nos propor a fazer nossa parte. Vote certo, não jogue lixo na rua, ajude a esclarecer os que jogam, fique por dentro do que rola nos poderes executivo e legislativo, participe de campanhas de reciclagem, faça um trabalho voluntário pela população carente… Enfim, meu convite é esse! Vamos arregaçar as mangas e fazer Belém mais bonita e melhor pra se viver.

Os primeiros movimentos do dia na Av. Presidente Vargas.





Avatar e experiências colaterais.

11 01 2010

Depois de muito falatório, poucas intenções e duas tentativas frustradas, ontem assisti o Avatar, de James Cameron. Em poucas palavras, eu estava absolutamente disposta a dispensar o esforço de ver no cinema pra alugar quando saísse em DVD. O alvoroço ao redor do filme não me tocou. Isso foi muito bom, porque fui ao cinema sem expectativa nenhuma sobre o filme, e então qualquer surpresa positiva seria lucro.

Sem dúvidas, um visual de tirar o fôlego. Impecável.

Não vou aqui me dar ao trabalho de fazer a crítica do filme, até porque não entendo do assunto, não sou nem cinéfila, e tenho gostos bem peculiares. Mas gostaria de compartilhar com vocês algumas observações periféricas, digamos assim.

Poucos dias antes de ir ver o Avatar, li comentários de que seria o roteiro de Pocahontas, com um visual 3D. [aqui, aqui, aqui...]

Eu não vi Pocahontas, apenas li o roteiro demonstrado na comparação. Dito isso, posso afirmar que prefiro não confirmar o plágio Avatar/Pocahontas. O enredo é absolutamente familiar e previsível, passível de se repetir a cada vez em que uma sociedade dita “desenvolvida” estiver interessada em explorar recursos naturais [quaisquer que sejam] de uma terra ocupada por um povo dito “selvagem”. Portanto, nem mesmo a Pocahontas foi original. Minha humilde opinião.

Neytiri e Jake Sully ou Pocahontas e John Smith?

Para variar ainda mais os sabores do assunto, o namorado [com quem assisti ao filme] disse que os Na’vi são basicamente os elfos da noite. A mesma relação de profunda conexão com a natureza, o mesmo respeito pela fauna e flora, e até mesmo uma árvore das almas. Coisa de quem joga RPG e lê bastante sobre seres míticos.

Meu ponto é: nada se cria, tudo se copia. Cada pessoa que viu o filme fez uma relação com algo que conhecia, e isso é o fantástico quando se começa a compreender o processo sígnico. Há quem o compare com a jornada do “Herói de Mil Faces”, de Joseph Campbell. O que, aliás, já seria uma comparação com quilos de filmes e livros e novelas e contos por aí, não?

E não considero desmerecido o sucesso do filme por conta dessas comparações, até porque, para mim, o mérito está na tecnologia desenvolvida ao redor do filme, e não no enredo em si. O cara conseguiu reproduzir um cenário belíssimo, de forma realista e encantadora. Eu, que não tive experiência colateral com nada parecido, apenas curti as quase 3 horas de exibição em completa concentração.





Interpretante Imediato. Segundo Peirce.

5 01 2010

Isso mesmo, caros leitores. [tem alguém aí, mesmo?].

Vou retomar os post regulares do blog com uma pesquisa recorrente nos termos de busca que caem aqui: interpretante imediato segundo Peirce. Então, sem mais delongas, vamos ao que diz o mestre!

Fuçando neste livro, encontrei um trecho assim:

“Um Signo, ou Representâmen, é um Primeiro que se coloca numa relação triádica genuina tal com um Segundo, denominado seu Objeto, que é capaz de determinar um Terceiro, denominado seu Interpretante, que assuma a mesma relação triádica com seu Objeto na qual ele próprio está em relação com o mesmo Objeto.”

Sacaram? NÃO?? Então vamos mastigar isso aí direitinho até todo mundo entender. E qual a melhor forma que a gente já encontrou para entender conceitos abstratos? Exemplos. Claro que nem sempre os exemplos refletem a idéia exata na sua abstração, mas ainda é um recurso válido para uma primeira compreensão de certos conceitos. Particularmente na semiótica, tão abstrata…

Vamos lá: o signo pode ser… hum, deixa eu ver… uma foto [!!!] de uma lata de refrigerante. Como a fotografia abaixo:

Você já aceitou Jesus? Eu já!

Eis o signo: a fotografia digital. Essa imagem mesma que você está vendo aí. Ele se coloca “em uma relação triádica genuína” com seu objeto [as latas que foram fotografadas] porque ele o representa, e além de o representar, gera um outro elemento na sua cabecinha quando você vê a imagem. Esse outro elemento é o interpretante. Viu só, estamos chegando lá!

Para detalhar melhor a definição de interpretante, eu prefiro recorrer à Santaella, que é DIVA na arte de decifrar o que o Peirce queria dizer.

Primeiro, Santaella esclarece aqui que o signo tem dois objetos e três interpretantes.

O objeto imediato é o que está dentro do próprio signo, ou a aparência com a qual o signo faz referência ao seu objeto. No caso da foto acima, a imagem das latas “dentro” da fotografia. O objeto dinâmico são as latas, as duas especificamente que eu fotografei.

Daí então temos os interpretantes: o imediato, o dinâmico e o interpretante em si. O interpretante imediato “consiste naquilo que o signo está apto a produzir numa mente interpretadora qualquer”, segundo Santaella. Ora, então o que poderia ser o interpretante imediato na foto acima? Talvez a idéia da lata de bebida, já que o Guaraná Jesus, especificamente, não é conhecido de todos. [aliás, por isso mesmo escolhi essa imagem].

Concorda comigo que a idéia geral é lata de refrigerante?

Já o interpretante dinâmico vai ser o que o signo efetivamente gerar na minha mente, ou na sua, ou na de qualquer que seja o observador da imagem. Na minha, especificamente, vai gerar a saudade de um refrigerante de cor espetacular, e sabor extremamente doce. Eu posso me lembrar do tempo em que tomava Guaraná Jesus na garrafa de vidro, na praia, comendo camarão. Mas conheço pessoas que vão pensar no pior remédio que já tomaram. Pessoas que não gostam do refrigerante citado.

Era um prato quase assim que eu comia quando era criança, na praia do Araçagi, tomando Jesus.

Por fim, o interpretante em si consiste no modo como “qualquer mente reagiria” ao signo. Aqui, eu arriscaria dizer que o interpretante em si pode ser a idéia da lata de refrigerante, pura e simplesmente, sem juízo de sabor, digo, valor.

E então, deu pra entender agora?





Pequenos diálogos cotidianos

3 01 2010

Delma, assistente social aposentada, tem orkut, manda SMS e quer aprender a tratar fotos. Tereza, aprendiz de fotógrafa e quase, quase designer. [Diálogo minimamente editado]

T – Finalmente consegui colocar o Photoshop no Macbook, mãe!

D – Hum… quem é o dono do Photoshop?

T – oi?…

D – A quem pertence o Photoshop?

T – er… você quer saber quem criou? A Adobe.

D – Mas… o que é Adobe? Ai, deixa eu ver e eu explico… qual é a razão social? É um estúdio?

T – Mãe, é uma empresa que cria softw… programas pra usar no computador e na internet.

D – É uma empresa virtual?

T – Não, mãe… tem prédio, escritórios, estacionamentos, pessoas trabalhando nele…

Mas eu amo esta mulher. Eu só queria que ela perguntasse menos pra mim, e mais pro Google. Ela pensa que eu sei tudo…

Delmãe e filha.